Câmara da Serra retoma trabalhos com falas duras e pedido de nova presidência
Após mais de quatro meses de impasse jurídico, a Câmara Municipal da Serra voltou a funcionar com parte das cadeiras ocupadas. Nesta segunda-feira (2), quatro suplentes tomaram posse como vereadores, reduzindo o período de vacância provocado pelo afastamento judicial de parlamentares investigados por suposto esquema de corrupção passiva.
Assumiram os mandatos Wilian da Elétrica (PDT), Sérgio Peixoto (PDT), Marcelo Leal (MDB) e Dr. Thiago Peixoto (PSOL), ocupando as vagas deixadas por Saulinho da Academia, Teilton Valim, Cleber Serrinha e Wellington Alemão, todos afastados por decisão da Justiça.
Durante a sessão solene, o clima foi marcado por discursos duros e cobranças públicas. Em sua primeira manifestação no plenário, Wilian da Elétrica chamou atenção para um pedido de R$ 30 milhões em suplementação orçamentária, solicitado anteriormente pelo então presidente da Casa, Saulinho da Academia.
O novo vereador questionou a condução administrativa do período que antecedeu os afastamentos e defendeu maior transparência nas decisões financeiras do Legislativo.
Já Dr. Thiago Peixoto adotou um tom de indignação diante da crise institucional. Em um gesto simbólico, levou ao telão do plenário uma reportagem televisiva que detalhava o afastamento dos quatro vereadores e os fundamentos apresentados pela Justiça, ressaltando a gravidade do episódio e a necessidade de reconstruir a credibilidade da Câmara junto à população.
Outro ponto central da sessão foi a fala do vereador Antônio Carlos (C&A), que defendeu a realização de uma nova eleição para a presidência da Casa.
Segundo ele, a medida é essencial para restabelecer a normalidade institucional, reorganizar o Legislativo e permitir que a Câmara da Serra avance após meses de instabilidade.
A posse dos suplentes ocorre após uma série de disputas judiciais. Na última sexta-feira (30), a Justiça manteve o afastamento dos vereadores investigados, rejeitando pedidos de reconsideração das defesas e reforçando o entendimento de que o retorno aos cargos poderia interferir no andamento das investigações.
Apesar do avanço institucional, a Câmara da Serra ainda não opera com sua composição completa.
O vereador Marlon Fred Oliveira Matos (PDT), conhecido como Fred do PDT, permanece preso no Centro de Detenção Provisória de Guarapari após ser detido em uma ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha, envolvendo agressão a policiais militares.
Até o momento, não há processo de cassação do mandato em curso, o que impede a convocação imediata de suplente. Pelo regimento interno da Casa, o afastamento pode se estender por até 120 dias antes de qualquer deliberação mais severa. Desses, aproximadamente 60 dias já transcorreram, mantendo a Câmara com uma cadeira vaga.
Com isso, o Legislativo serrano retoma suas atividades de forma parcial, enquanto os desdobramentos judiciais seguem em andamento e continuam sendo acompanhados de perto pelo meio político e jurídico do Espírito Santo.
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Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.
