Projeto da Ales ensina agricultor a ganhar dinheiro preservando o meio ambiente

Projeto da Ales ensina agricultor a ganhar dinheiro preservando o meio ambiente

Assembleia Legislativa estimula mercado verde junto aos agricultores do projeto, que foi ampliado e agora abrange 35 municípios

No terceiro ano de atuação, o Projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), amplia seu alcance e passa a priorizar um novo ativo estratégico para a agricultura familiar: o crédito de carbono. A iniciativa, que já atua no fortalecimento da produção rural e na diversificação de atividades no campo, agora também orienta pequenos produtores sobre como transformar preservação ambiental em geração de renda.

A proposta é clara: ajudar agricultores familiares a estruturarem projetos que reduzam a emissão de gás carbônico, conciliando produção, cuidado com o meio ambiente e retorno financeiro. A inclusão do tema no programa acompanha uma mudança de realidade no campo, em que sustentabilidade deixou de ser discurso e virou necessidade prática.

Para o presidente da Ales, deputado Marcelo Santos (União), o avanço do projeto reflete a capacidade de ouvir quem vive no campo.

“O Arranjos Produtivos cresce porque funciona. Ele avançou porque soube escutar o campo e entender que novas agendas já fazem parte do dia a dia das comunidades. O crédito de carbono entrou no projeto não como modismo, mas como uma necessidade real para o homem e a mulher do campo”, afirmou.

Segundo Marcelo, o acesso ao mercado de carbono só se torna possível com investimento em conhecimento.

“Essa oportunidade ganhou forma porque capacitamos nossos técnicos e levamos informação de qualidade até quem produz. É isso que dá segurança para o agricultor não ser enganado e conseguir acessar esse mercado com autonomia”, destacou.

A preocupação com golpes e intermediários oportunistas também entrou no radar do projeto. Em entrevista à TV Ales, o presidente do Legislativo foi direto ao ponto:

“Tem muito picareta roubando o crédito que é do agricultor pela inocência dele. No fim das contas, o produtor acaba entregando isso para terceiros”, alertou.

Orientação técnica no campo

Desde 2025, o tema vem sendo trabalhado diretamente com produtores em seminários e encontros realizados em municípios como Jerônimo Monteiro, Anchieta, Conceição do Castelo, São Domingos do Norte, Nova Venécia, Jaguaré e Conceição da Barra. Com a ampliação do Arranjos Produtivos para 35 municípios em 2026, a expectativa é que o alcance do crédito de carbono no campo capixaba cresça de forma significativa.

Técnicos do projeto orientam os agricultores sobre como desenvolver iniciativas que possam ser convertidas em créditos de carbono, como práticas de uso responsável do solo, preservação de áreas verdes e projetos de reflorestamento. A lógica é simples: quem preserva e reduz impacto ambiental pode ser remunerado por isso.

Para acessar esse novo mercado verde, o produtor não precisa, necessariamente, integrar o Arranjos Produtivos, mas deve cumprir alguns requisitos básicos. Entre eles, estar com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado junto ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e não ter histórico de queimadas nos últimos cinco anos.

A secretária da Casa dos Municípios da Ales, Joelma Costalonga, anunciou que novas capacitações para técnicos já estão programadas para fevereiro.
“O homem e a mulher do campo têm direito a isso: cuidar da propriedade, cuidar do carbono que ela produz e ter acesso ao valor que é repassado por esse cuidado ambiental. Esse recurso é deles”, reforçou.

Com a nova fase, o Arranjos Produtivos consolida um movimento que une desenvolvimento econômico, proteção ambiental e valorização da agricultura familiar, abrindo uma nova porta de renda sustentável para o produtor rural capixaba.