EUA propõem sobretaxa de 12,5% contra o Brasil por falhas no combate ao trabalho forçado

EUA propõem sobretaxa de 12,5% contra o Brasil por falhas no combate ao trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova ofensiva comercial que prevê sobretaxas de até 12,5% sobre produtos importados de 60 nações. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos apresentou a medida após concluir investigações baseadas na Lei de Comércio de 1974. O Brasil integra a lista de 54 países considerados falhos na fiscalização de mecanismos contra o trabalho forçado em suas cadeias comerciais.

A avaliação da gestão americana aponta que a negligência gera distorções no mercado internacional. O cenário prejudica diretamente a competitividade dos trabalhadores norte-americanos. Pela proposta atual, as compras vindas dos países sob investigação enfrentarão tarifas adicionais de até 12,5%. As nações com acordos comerciais prévios ou regimes parcialmente adequados terão uma alíquota menor, fixada em 10%.

O embaixador e representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, defendeu a taxação como forma de equilibrar a concorrência global. “A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”, afirmou Greer. O plano prevê o recebimento de comentários públicos até 6 de julho de 2026 e a realização de audiências presenciais no dia seguinte.

A nova taxação global atinge potências como China, Índia, Japão e Reino Unido, além de parceiros regionais como Argentina e Uruguai. Esta medida soma-se a um processo específico aberto contra o Brasil em julho de 2025. Essa investigação paralela pode resultar em sanções ainda mais severas, com tarifas de até 25% sobre determinados itens nacionais. Washington acusa o governo brasileiro de adotar práticas irrazoáveis em áreas como comércio digital, regulação de redes sociais e funcionamento do Pix.

O governo americano também questiona o acesso ao mercado de etanol e as políticas de combate ao desmatamento ilegal. Apesar do risco de taxas maiores, o relatório preliminar indica que os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficarão isentos da punição de 25%. A carne bovina, o café, as peças de aeronaves, os metais e as terras raras não devem sofrer o impacto dessas sanções específicas.

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reagiram de forma imediata em nota conjunta. O governo brasileiro classificou o processo como uma tentativa de interferência em temas de soberania nacional. O Executivo defendeu o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos aberta e neutra. O comunicado destacou que o Brasil acumulou um déficit de 424,5 bilhões de dólares no comércio de bens e serviços com os americanos nos últimos 15 anos. Os Estados Unidos divulgarão a decisão final da investigação de 2025 até o dia 15 de julho de 2026.

(Foto: geralt / Pixabay)