Episódio na Praia do Canto causa perplexidade e reacende debate sobre radicalização
O que leva um adulto a pegar fezes e usá-las como instrumento de manifestação política?
Essa é a pergunta que muita gente está fazendo após o episódio que ganhou repercussão em Vitória.
Esqueça por um instante quem é o político envolvido. Esqueça se a imagem era de Bolsonaro, Lula ou qualquer outra figura pública. A questão principal é outra.
O que leva uma pessoa adulta, plenamente capaz de formular opiniões, argumentos e críticas, a recorrer a um comportamento tão degradante para expressar sua insatisfação?
A democracia oferece inúmeras ferramentas para o cidadão se manifestar. O voto. A crítica. O debate. As redes sociais. Os protestos pacíficos. A liberdade de expressão.
Mas quando alguém abandona os argumentos e passa a utilizar fezes para atacar um espaço político, o que está sendo demonstrado não é força de convicção. É justamente o contrário.
O vereador Armandinho Fontoura afirmou que pretende levar o caso adiante e buscar a responsabilização dos envolvidos pelas vias legais. Segundo ele, as imagens de monitoramento e demais elementos reunidos serão apresentados às autoridades competentes para apuração dos fatos.
Não existe inteligência, coragem ou superioridade moral em um ato desse tipo. Não existe debate. Não existe construção. Não existe proposta.

Existe apenas um gesto que empobrece o ambiente público e transforma uma divergência política em um espetáculo lamentável.
O mais impressionante é que não estamos falando de adolescentes cometendo uma brincadeira de mau gosto. Estamos falando de adultos que deveriam dar exemplo de civilidade, respeito e maturidade.
Discordar faz parte da democracia. Criticar faz parte da democracia. Até protestar faz parte da democracia.
Mas transformar fezes em instrumento de manifestação não eleva nenhuma causa. Não convence nenhum adversário. Não melhora o país. Não fortalece nenhum movimento político.
Apenas expõe o grau de deterioração a que chegou parte do debate público brasileiro.
Se alguém acredita que atitudes desse tipo fortalecem uma posição ideológica, talvez esteja alcançando exatamente o efeito contrário: gerar perplexidade, constrangimento e reprovação até mesmo entre pessoas que compartilham das mesmas opiniões políticas.
O Brasil precisa de mais argumentos e menos degradação. Mais ideias e menos hostilidade. Mais maturidade e menos atitudes que envergonham o debate democrático.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



