Arquitetos questionam mudança de projeto em obra no Centro de Vitória
O Instituto de Arquitetos do Brasil no Espírito Santo (IAB-ES) afirma que a obra de requalificação das ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, no Centro de Vitória, não corresponde ao projeto apresentado à população.
Segundo a entidade, entre as mudanças identificadas durante a execução estão a manutenção da fiação aérea — quando o projeto original previa o aterramento da rede —, alterações no sistema de drenagem, a instalação de grelhas não previstas na apresentação inicial e modificações na iluminação. A presidente do IAB-ES, Nayara Gava Monteiro, diz que intervenções em uma área de interesse histórico exigem planejamento e articulação institucional prévios ao início dos trabalhos.
As obras começaram na primeira semana de março de 2026, com orçamento de R$ 10 milhões, como parte da requalificação do Centro de Vitória. O IAB-ES acompanhou o lançamento da intervenção, feito ainda pela gestão do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec), mas afirma não ter tido acesso ao projeto executivo, documento com as especificações técnicas da obra.
Nayara relata que o instituto tentou identificar o responsável pelo aterramento da fiação, mas recebeu respostas divergentes entre a Prefeitura e as empresas de energia e telecomunicações, e a etapa não foi executada. Para ela, ainda seria possível preparar a infraestrutura para um aterramento futuro sem novas quebras no piso, com dutos e caixas de passagem sob a pavimentação — solução já usada, segundo a arquiteta, na região do Shopping Vitória e na Avenida Getúlio Vargas.
O instituto também questiona a nova estrutura de drenagem instalada, que não constava do projeto apresentado inicialmente, e as grelhas de diferentes tipologias usadas na obra, algumas já com sinais de desgaste antes da conclusão dos trabalhos. Outro ponto criticado é o piso em placas de granito, que pode ficar escorregadio quando molhado, em uma via de circulação intensa e sujeita a acúmulo de água em períodos de chuva.
Para Nayara, mudanças relevantes feitas durante a obra deveriam vir acompanhadas de transparência sobre o que foi alterado e por quê. “Quando um projeto validado muda em obra, a validação perde o sentido”, afirmou a presidente do IAB-ES.
Fonte: [Século Diário](https://www.seculodiario.com.br/cidades/arquitetos-questionam-mudanca-de-projeto-durante-obra-no-centro-de-vitoria/)

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