A política capixaba sente falta de uma voz nacional?
O possível retorno de Rose de Freitas recoloca em debate o protagonismo do Espírito Santo em Brasília.
A política é feita de ciclos.
Alguns líderes surgem, ocupam espaço e desaparecem rapidamente. Outros deixam marcas tão profundas que continuam sendo lembrados mesmo anos depois de deixarem os cargos que ocupavam.
No Espírito Santo, poucos nomes conseguiram construir uma trajetória tão extensa e tão presente na vida dos municípios quanto Rose de Freitas.
Jornalista, constituinte de 1988, deputada federal por diversos mandatos, primeira mulher eleita senadora pelo Espírito Santo e primeira mulher a ocupar um cargo titular na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, Rose construiu uma carreira marcada pela capacidade de articulação e pelo relacionamento permanente com prefeitos, vereadores e lideranças de praticamente todas as regiões do Estado.
Independentemente das posições políticas de cada eleitor, existe um fato difícil de ignorar: durante os anos em que ocupou espaços estratégicos em Brasília, Rose era uma figura constantemente associada à chegada de recursos, investimentos e obras para os municípios capixabas.
Prefeitos buscavam sua interlocução. Lideranças municipais recorriam ao seu gabinete. Municípios pequenos encontravam nela uma ponte direta com o governo federal.
Não por acaso, seu discurso de despedida do Senado, em 2022, teve como foco justamente o municipalismo e a defesa dos municípios, bandeira que sempre esteve presente em sua atuação política.
Talvez seja justamente essa característica que faz seu nome voltar ao debate político em 2026.
O Espírito Santo mudou muito nos últimos anos. A economia cresceu, novas lideranças surgiram e o Estado consolidou avanços importantes. Mas existe uma pergunta que começa a aparecer com frequência nos bastidores da política capixaba:
Quem exerce hoje, em Brasília, o papel de articulador nacional que Rose exerceu durante tantos anos?
Não se trata de desmerecer os atuais representantes do Estado. Cada parlamentar possui seu estilo de atuação, suas prioridades e sua forma de fazer política.
Mas é perceptível que parte da população sente falta daquela figura política que transitava com facilidade pelos ministérios, pelo Congresso Nacional e pelos principais centros de decisão do país.
Uma liderança capaz de abrir portas, construir pontes e transformar relacionamento político em investimentos concretos.
O próprio aeroporto de Vitória, frequentemente citado entre as obras estruturantes que marcaram a modernização do Espírito Santo, costuma ser lembrado por aliados como um dos exemplos da capacidade de articulação que Rose exercia em Brasília.
Agora, com as movimentações para a eleição de 2026 começando a ganhar forma, o nome da ex-senadora volta a circular com intensidade crescente nos bastidores.
Ainda é cedo para prever cenários.
Há nomes fortes no tabuleiro político. Há lideranças consolidadas. Há projetos em construção.
Mas existe algo que dificilmente pode ser ignorado: Rose de Freitas continua sendo uma das poucas lideranças capixabas cuja trajetória está diretamente ligada aos 78 municípios do Estado.
E talvez seja justamente essa conexão construída ao longo de décadas que mantenha seu nome vivo no imaginário político capixaba.
A eleição ainda está distante.
Mas uma pergunta já começa a surgir em rodas políticas, gabinetes, prefeituras e encontros de lideranças pelo Espírito Santo:
O Estado estaria diante da oportunidade de recuperar uma voz nacional que durante décadas ajudou a colocar as demandas capixabas no centro das decisões de Brasília?

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



