Mulheres líderes em negócios impactam a sociedade

Mulheres líderes em negócios impactam a sociedade

O peso do empreendedorismo feminino na conscientização e na ressignificação social do papel da mulher na sociedade pautou intervenções na audiência pública promovida pela Comissão de Finanças nesta quarta-feira (10) para debater um panorama da atividade no Espírito Santo.

Fotos da audiência pública

Para a gerente de formação empreendedora da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas (Aderes), Stela Rosseto, o empreendedorismo feminino tem se mostrado uma força transformadora na sociedade, promovendo não apenas a independência financeira das mulheres, mas também contribuindo com o desenvolvimento socioeconômico como um todo. Stela destacou que, em 2023, empresas comandadas por mulheres representaram 48% de novos negócios no Brasil.

“A autonomia financeira conquistada pelo empreendedorismo permite que as mulheres tenham maior controle sobre suas vidas e decisões. Isso é particularmente importante no contexto em que historicamente as mulheres enfrentam barreiras significativas no mercado de trabalho, incluindo disparidade salarial e limitações de crescimento profissional”, refletiu.

A gerente da Aderes defendeu que a mulher, ao liderar seus negócios, gera novos padrões para as futuras gerações. “O empreendedorismo é muito importante para um futuro de equidade, é sobre transformação social e desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Demandas

Andrea Gama, gestora do programa Sebrae Delas, destacou que no Espírito Santo, estado com 1,7 milhão de mulheres em idade de trabalhar, 53,7% delas estão ocupadas e 10,9% (190 mil) empreendem. Para Andrea, as políticas públicas podem equilibrar as necessidades de mulheres e homens no mercado de trabalho, o que ainda é um entrave. “A mulher para empreender, quando necessita de crédito, ela precisa de fundo de aval, ela precisa de suporte”, citou.

Algumas empreendedoras usaram a tribuna para contar suas trajetórias e incentivar novas empresárias, como Vanessa Frisso, diretora da Escola de Atores de Vitória; Rita Sueli Coutinho, proprietária da Oficina de Pães Caseiros Artesanais; e Fernanda Pereira, do Instituto Mão na Massa. Vanessa lembrou que ela realizou um sonho de infância, mas muitas mulheres foram provocadas por situações adversas. “O que moveu o empreendimento foi uma crise, a necessidade de criar uma oportunidade para a sua família, seus filhos”, explicou.

A subgerente de empreendedorismo e inclusão produtiva da Secretaria Estadual das Mulheres (Sesm), Stael Magesck Serra, destacou a ação Caravana Margaridas, com oficinas de capacitação, treinamentos em habilidades profissionais, empreendedorismo, liderança e desenvolvimento pessoal. A iniciativa também debate com mulheres capixabas sobre o enfrentamento à violência e leva outros serviços. Stael enfatizou que somente rodando todo o Espírito Santo e conversando com o público o Estado poderá construir de fato uma rede de apoio eficiente para potenciais empreendedoras.

Também usaram a tribuna as vereadoras petistas de Vitória, Karla Coser, e de Conceição da Barra, Rosenilda Simões Bispo. Para Karla, é preciso ter a consciência de que a mulher era há poucas décadas considerada parcialmente capaz pela legislação e de que o direito à participação política não tem 100 anos. Essas questões, segundo a vereadora, refletem o que é a sociedade hoje.

“Quando a gente tira a mulher do mercado de trabalho, a gente tira o dinheiro da circulação, quando a gente não remunera o trabalho doméstico, impede que a mulher seja recompensada por um trabalho gigantesco. No Poder Público o desafio é ajudar ou pelo menos não atrapalhar a mulher empreendedora, o Brasil ainda é um país muito burocrático”, ressaltou.

Rosenilda, doméstica, professora funcionária pública há 23 anos, relatou sua trajetória e enfatizou o poder de ressignificar o papel da mulher que há no empreender. “Minha mãe fazia esteira de palha retirada do brejo e tinha muito orgulho em dizer que a filha tinha segundo grau completo”. A mãe de Rosenilda ensinou-a e ela passou essa consciência de busca por espaço de direito para as filhas.

O deputado proponente da audiência e vice-presidente do colegiado, João Coser (PT), apontou que o grande desafio para a mulher que empreende é o acesso ao crédito. Na opinião de Coser, o empreendimento feminino contribui para melhorar a própria sociedade, pois a trabalhadora, na maioria das vezes com tripla jornada por ser mãe e dona de casa, não só qualifica a própria vida com o negócio, mas também gera emprego ao empreender.

Para o presidente da comissão, deputado Tyago Hoffmann (PSB), o estímulo ao empreendedorismo feminino capixaba é parte essencial de uma área na qual o Poder Público precisa avançar, que é o cuidado com as mulheres, ainda vítimas da forte violência de gênero no Espírito Santo. “A dependência financeira ainda é a principal causa de submissão”, opinou.

Fonte: Assembleia Legislativa