Casagrande alerta para polarização, critica autoritarismo e mira modelos do passado
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, acendeu o alerta para os efeitos da polarização política sobre a democracia e a convivência institucional. O discurso foi feito durante a abertura dos trabalhos legislativos e trouxe um tom firme ao tratar do risco de violência política, da necessidade de diálogo entre os Poderes e da rejeição a modelos de gestão baseados no autoritarismo.
Na avaliação do governador, a polarização ganhou contornos mais evidentes a partir da pandemia da Covid-19 e passou a contaminar o debate público e o funcionamento das instituições. Casagrande afirmou que, naquele período, discursos sabidamente prejudiciais à sociedade foram mantidos por agradarem parcelas específicas da população, aprofundando divisões e fragilizando o ambiente democrático.
Mesmo com o fim da fase mais crítica da crise sanitária, segundo o governador, os desafios permanecem. Ele citou a continuidade da polarização, a possibilidade de novas epidemias e os eventos climáticos extremos como fatores que exigem estabilidade institucional. Para Casagrande, a solidez da democracia está diretamente ligada à preservação de um ambiente político capaz de sustentar o diálogo e o respeito entre os Poderes.
Sem citar nomes diretamente, o discurso também foi interpretado nos bastidores como um recado a estilos de governar adotados no passado. Casagrande defendeu que autoridade não se constrói pela imposição ou pela arrogância. Para ele, governar exige humildade, capacidade de ouvir e disposição para conviver com opiniões divergentes.
O governador reforçou que exercer autoridade não significa adotar práticas verticalizadas ou centralizadoras. Segundo ele, a sociedade atual rejeita modelos baseados no controle rígido das instituições e em relações de poder construídas pela força. A defesa foi por um Estado em que as decisões sejam fruto de diálogo, compreensão e cooperação.
A fala remeteu, ainda que de forma indireta, ao período de crise institucional e de segurança pública vivido pelo Espírito Santo em 2017, durante a gestão do ex-governador Paulo Hartung. À época, uma paralisação da Polícia Militar resultou em um colapso da segurança pública, com mais de 200 homicídios registrados em poucos dias, além de forte tensão entre os Poderes.
Ao contrapor aquele cenário, Casagrande destacou o atual modelo de convivência institucional como um dos pilares da transformação do Estado nos últimos anos. Segundo ele, a liberdade para diálogo entre Executivo, Legislativo e demais instituições permitiu enfrentar problemas históricos e reorganizar a máquina pública.
O governador também apresentou números para sustentar o discurso. De acordo com ele, antes de retornar ao Palácio Anchieta, em 2019, os investimentos anuais do Estado giravam em torno de R$ 900 milhões, concentrados principalmente em infraestrutura e hospitais. Nos últimos anos, esse volume teria saltado para R$ 4,8 bilhões, refletindo um novo patamar de capacidade de investimento.
Ao encerrar a fala, Casagrande projetou a continuidade desse cenário positivo, associando os resultados à estabilidade política e ao diálogo institucional. Para o governador, se 2025 já representou um recorde, a expectativa é de que 2026 seja ainda mais expressivo para o Espírito Santo.

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