O dilema da direita capixaba passa por um nome: Carlos Manato
Nesta semana, Carlos Manato publicou em suas redes sociais um vídeo relembrando momentos de descontração ao lado de Jair Bolsonaro. À primeira vista, parece ser uma simples publicação. Para quem acompanha os bastidores da política capixaba, a mensagem vai muito além disso: é um lembrete de como Carlos Manato pode ser uma solução para disputas intestinas da direita, permitindo vitória eleitoral ao Governo do Estado.
O vídeo exibe algo que poucos nomes da direita conseguem reivindicar no Espírito Santo: uma relação política construída ao longo de anos ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dessa forma, Carlos Manato revela possuir um capital político importante num momento em que a vitória da direita parece ameaçada menos por questões externas e muito mais por questões internas.
É inegável que, no geral, a direita passa nesse momento por uma crise de fragmentação.
No lugar de se unirem, muitos seguem projetos próprios, muitas vezes antagônicos a um projeto de vitória maior. Isso impede a direita de se articular para uma eleição que, em tese, deveria ser uma janela de oportunidade para a vitória, dado o esgotamento geral do projeto estadual e nacional exercido pela esquerda.

Mesmo com essas divisões, no entanto, o cenário no Espírito Santo está dividido em dois lados muito claros e definidos. De um lado, o governador Ricardo Ferraço. Está fortalecido. Herdou a estrutura do governo. Reúne uma ampla base política. Conta com o apoio direto de Renato Casagrande, principal nome do grupo para a disputa ao Senado.

Do outro lado, o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Consolidado como principal nome da direita para disputar o Governo do Estado. As pesquisas mostram um cenário competitivo e polarizado, com os dois grupos disputando em situação muito próxima de paridade.

Mas existe uma diferença importante entre os dois lados. Ricardo Ferraço tem praticamente sua estrutura montada. Já Pazolini ainda precisa resolver uma equação delicada: acomodar os interesses de partidos, lideranças e possíveis candidatos ao Senado sem provocar rupturas dentro do próprio campo na direita.
É justamente nesse ponto que surge o nome de Carlos Manato. Sua participação pode ser o pivô que falta à direita para vedar suas fragilidades e consolidar sua capacidade de disputa e vitória eleitoral.
Manato acumulou um prestígio político impossível de ignorar. Em 2022, ele ultrapassou a marca de um milhão de votos no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado. Foi uma campanha que colocou a direita capixaba pela primeira vez em muitos anos em condições reais de disputar o Palácio Anchieta até os momentos finais da eleição.
Mais do que isso, Manato carrega um ativo político raro: identidade eleitoral. Quando o assunto é bolsonarismo no Espírito Santo, nenhum outro político construiu uma trajetória tão associada à imagem de Bolsonaro quanto Carlos Manato. Para uma parcela significativa da direita capixaba, ele continua sendo a principal referência desse campo político. Isso explica por que Carlos Manato em 2026 se torna estratégica: seu eleitorado é uma reserva que pode fazer toda diferença, por exemplo, na disputa pelo Governo do Estado.
Nos bastidores, o PL trabalha para fortalecer a candidatura de Maguinha Malta ao Senado. O movimento é liderado pelo senador Magno Malta, presidente estadual do partido, uma das figuras mais influentes da direita capixaba. Tudo indica que o PL deseja ocupar espaço relevante na chapa majoritária, e dificilmente abrirá mão dessa prioridade sem uma compensação política robusta.
Ao mesmo tempo, outros nomes começam a surgir no debate. Paulo Hartung aparece como possível candidato ao Senado dentro do grupo de Pazolini. Mais recentemente, o deputado federal Evair de Melo tem utilizado suas redes sociais para sinalizar interesse na disputa senatorial. E, para complicar ainda mais, Evair de Melo anuncia seu interesse em se reeleger deputado federal, lançando uma aposta desnecessária em uma disputa já congestionada e sem apresentar, até o momento, a mesma densidade eleitoral demonstrada por Carlos Manato.
Obviamente, enquanto a direita tenta construir um projeto competitivo para enfrentar a máquina governista, abrir novas disputas internas pode acabar enfraquecendo quem mais precisa estar unido. A questão central é matemática eleitoral. Supondo que Paulo Hartung ocupe uma vaga ao Senado e o PL insista em Maguinha Malta para a outra vaga. Neste caso, o espaço político se fecha. Se outros nomes passarem a reivindicar posições nesse mesmo tabuleiro, a tendência natural é aumentar a tensão entre os partidos.
Surge assim uma possibilidade preocupante, que começa a ser comentada em conversas reservadas. Caso o PL entenda que não terá espaço suficiente na composição principal, não seria absurdo imaginar uma candidatura própria ao Governo do Estado. O partido possui estrutura, fundo eleitoral, tempo de televisão, prefeitos, deputados e uma das maiores bancadas do Espírito Santo.
Uma movimentação desse tipo mudaria completamente o cenário eleitoral. Uma candidatura própria do PL não retiraria votos do grupo governista. Pelo contrário: o impacto ocorreria justamente dentro do eleitorado de direita, atingindo diretamente o projeto político de Lorenzo Pazolini.
É nesse contexto que o nome de Carlos Manato ganha ainda mais relevância. Se a construção de uma aliança ampla se tornar difícil, uma composição envolvendo Pazolini e Manato poderia funcionar como elemento de unificação do campo da direita.

Não por acaso, Manato continua sendo um dos poucos nomes capazes de dialogar simultaneamente com o eleitor bolsonarista, com lideranças do PL, com setores do Republicanos e com parte significativa da direita tradicional capixaba.
Por isso, talvez a principal pergunta da oposição não seja quem será candidato ao Senado. A pergunta que precisa ser respondida é outra: como acomodar os interesses de tantos atores sem repetir o erro clássico da política brasileira, onde a vaidade de alguns acaba entregando a vitória para quem já está no poder?
O vídeo publicado por Carlos Manato nesta semana talvez tenha servido exatamente para lembrar isso. Em um tabuleiro cada vez mais complexo, ele continua sendo uma peça que nenhum estrategista da direita capixaba pode ignorar.
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Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.




