AS APARIÇÕES MARIANAS

Por João Dallapiccola
CAPÍTULO I: NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – MÉXICO, 1531.
Tepeyac, México 1531 — A Primeira Aparição
No ano de 1531, dez anos após a queda de Tenochtitlán e enquanto a evangelização do Novo Mundo avançava entre tensões e resistências, ocorreu no México a primeira aparição mariana reconhecida pelo Vaticano. O local foi o cerro de Tepeyac, uma colina situada a cerca de cinco quilômetros a nordeste do centro da atual Cidade do México, então parte do vice-reinado da Nova Espanha.
O vidente, assim são chamados aqueles que encontram com a Virgem Maria, foi Juan Diego Cuauhtlatoatzin, um indígena Nahua. Fora batizado em 1524 por missionários franciscanos, aos cinquenta anos de idade. Era um camponês convertido, de vida simples, e caminhava regularmente de sua aldeia até Tlatelolco para assistir às instruções religiosas.
A primeira aparição deu-se na madrugada de 9 de dezembro de 1531, por volta das três horas e meia da manhã. Juan Diego passava pelo sopé do Tepeyac quando ouviu um canto semelhante ao de pássaros. Ao olhar para o alto da colina, viu uma luz intensa e uma jovem mulher que o chamou em sua língua nativa, o náuatle, tratando-o por expressões afetuosas como “Joãozinho”, “o mais humilde de meus filhos”, “meu filho caçula”.
Ela identificou-se como a Virgem Maria, “Mãe do verdadeiro Deus por quem se vive”. Pediu-lhe que fosse até a cidade do México e dissesse ao bispo, frei Juan de Zumárraga, que um templo fosse construído naquele lugar em sua honra, onde ela pudesse mostrar seu amor e compaixão a todos os que a invocassem.
Juan Diego obedeceu. Dirigiu-se ao palácio episcopal e conseguiu ser recebido por Dom Zumárraga, frade franciscano e primeiro bispo do México. Relatou o ocorrido. O bispo ouviu com paciência, mas não deu crédito. Disse que precisava de mais tempo e que Juan Diego voltasse.
Ainda naquele mesmo 9 de dezembro, de volta ao Tepeyac, Juan Diego encontrou novamente a Nossa Senhora, sendo essa a segunda aparição. Ele lhe contou o fracasso e sugeriu que ela escolhesse alguém mais respeitável para a missão. Ela, porém, insistiu: “Rogo-te, filho meu, que amanhã voltes a ver o bispo e lhe digas que é a Virgem Santa Maria quem te envia.“.
No dia seguinte, domingo, 10 de dezembro, Juan Diego retornou ao bispo, que o interrogou com mais cuidado, pedindo perguntas e detalhes. Ao final, dom Zumárraga disse que um sinal era necessário: algo concreto que provasse que aquela mensagem vinha realmente do céu. Juan Diego aceitou o desafio e prometeu trazer o sinal no dia seguinte.
O vidente voltou ao Tepeyac e encontrou a Virgem pela terceira vez, ainda no domingo. Relatou-lhe o pedido do bispo. Ela consentiu em dar o sinal no dia seguinte, 11 de dezembro.

Contudo, na segunda-feira, 11 de dezembro, ao chegar em casa, Juan Diego encontrou seu tio, Juan Bernardino, gravemente enfermo. Passou o dia e a noite cuidando dele. Na madrugada de terça-feira, 12 de dezembro, vendo que o tio agonizava, Juan Diego saiu apressado para buscar um sacerdote em Tlatelolco que ouvisse sua confissão e lhe ministrasse a unção dos enfermos.
Para evitar atrasos, ele contornou o Tepeyac por outro caminho. Mas a Senhora desceu do alto da colina e interceptou-o. Perguntou: “Onde vais, meu filho? Para onde te diriges?” Juan Diego explicou a situação. Ela então disse as palavras que se tornariam as mais célebres da aparição:
“Não estou eu aqui, que sou a tua Mãe? Não estás tu sob a minha sombra e proteção? Não estás no regaço dos meus braços? Tens necessidade de alguma outra coisa?”
Ela assegurou-lhe que seu tio já estava curado. Disse-lhe então que subisse ao topo do Tepeyac e colhesse as flores que encontrasse. Apesar do inverno rigoroso, quando o solo estaria seco e gelado, Juan Diego encontrou rosas castelhanas floridas, uma espécie não nativa do México. Colheu-as e trouxe-as no regaço de sua tilma, o manto externo feito de fibras de agave (cacto).
A Virgem tomou as rosas, reorganizou-as na tilma e disse: “Meu filho querido, estas flores são o sinal que levarás ao bispo. Dize-lhe em meu nome que veja nelas a minha vontade.”
Juan Diego partiu para a cidade. Ao chegar ao palácio episcopal, foi introduzido na presença de Dom Zumárraga. Abriu a tilma e as rosas castelhanas caíram ao chão. No tecido, porém, havia algo muito maior: a imagem da Virgem de Guadalupe impressa de forma inexplicável na fibra de agave. O bispo e todos os presentes ajoelharam-se incrédulos com o sinal recebido pela Mãe Santíssima.
Quanto a Juan Bernardino, o tio de Juan Diego, confirmou que também vira a mesma Senhora ao lado de seu leito, a quinta aparição. Ela o curara e dissera que desejava ser chamada sob o título de “Guadalupe”.
No dia 26 de dezembro de 1531, uma grande procissão transladou a imagem milagrosa da cidade do México até o Tepeyac, onde uma pequena capela foi erguida. A tilma original encontra-se até hoje preservada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, o santuário mariano mais visitado do mundo.
Essa aparição foi reconhecida pela Igreja Católica e deu origem ao título de Nossa Senhora de Guadalupe, proclamada padroeira principal da América Latina pelo Papa João Paulo II. Juan Diego, o vidente indígena que encontrou a Virgem Maria, foi beatificado em 6 de maio de 1990 e canonizado em 31 de julho de 2002, ambos os atos pelo mesmo pontífice. Sua festa litúrgica foi fixada em 9 de dezembro, data da primeira aparição.
Para mim, Margarett Kuster, confio minha vida pessoal e profissional a poderosa intercessão de Nossa Senhora. “Durante a minha vida, inúmeras graças foram alcançadas. Submeto todas minhas decisões a intercessão da Mãe do Céu, peço todos os dias a graça de ser obediente a Deus, e que nunca nos falte, a mim e minha família, a providência das necessidades diárias e alegria plena. Ressoa em meu coração durante as minhas orações, as palavras da Virgem Maria nas bodas de Caná aos serviçais: “fazei tudo o que Ele vos disser!”.
Para mim João Batista, duas coisas meu Pai me fez prometer: nunca perder a fé em Maria Santíssima, para ele personificada em Nossa Senhora da Penha e a outra guardar sempre a gratidão “que vem sempre um milímetro antes de tudo, mas um amigo não te pedira nada de errado”.
Texto escrito por João Batista Dallapiccola Sampaio em conjunto com a Advogada e Católica Praticante Margarett de Oliveira Kuster.

Advogado há 39 anos, especializado em direitos sociais e graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), é pai orgulhoso e avô realizado, com uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça e a ética profissional.



