A economia do turismo
Por Luiz Paulo Vellozo Lucas
O Brasil fechou o ano de 2025 com 9 milhões de turistas estrangeiros. Um recorde histórico ainda que em termos globais o desempenho do país ainda seja marginal. O campeão mundial é a cidade de Bangkok na Tailândia que recebeu 23 milhões de turistas no ano passado, seguida por Londres, Paris, Dubai, Istambul, Singapura, Nova York, Tokio, Hong Kong e Seul. Décimo lugar no ranking global, a capital da Coreia do Sul igualou o Brasil com 9 milhões de visitantes estrangeiros. Praga, na Republica Checa, registrou 8 milhões.
O turismo doméstico também está em alta no Brasil. 59 milhões de brasileiros viajaram pelo país em 2025 sendo que 53% da preferencia é por destinos na região nordeste.
O Rio de Janeiro consagra-se como referência em eventos culturais de massa como o réveillon que este ano reuniu 2,5 milhões de pessoas na orla de Copacabana. O Guinness World Records registrou o réveillon do Rio como sendo a maior festa de ano novo do mundo.
A economia do turismo tem como característica principal a simbiose com a qualidade de vida da cidade. Um lugar bom de se viver é percebido também como sendo bom de se visitar.
O impacto do fluxo temporário de visitantes na dinâmica urbana, no mercado imobiliário, no trânsito, na segurança pública, nos serviços básicos de fornecimento de eletricidade, de água potável, de coleta e destinação dos resíduos sólidos e de acesso à internet precisam de planejamento e investimentos em infraestrutura e gestão.
As prefeituras de cidades dinâmicas economicamente administradas com visão estratégica sabem disso.
O dinamismo econômico do turismo é transformador. A valorização imobiliária é antecipada pelos empreendedores que investem e atraem novos investidores. O comércio e os serviços de hospedagem e alimentação sentem rápido as possibilidades de crescimento e sucesso para seus empreendimentos. O calendário de eventos cultural, esportivo e ecológicos alimenta o fluxo de visitantes e de profissionais da arte e da cultura. O desafio principal é a governança pactuada entre os agentes privados e o poder público. Governança qualificada é a chave do sucesso para as cidades e para os empresários.
A tecnologia revolucionou o mercado de hospedagens e o desafio de regulação local no uso de imóveis para locação, tipo Airbnb, gerou novos desafios para as prefeituras e condomínios. O sucesso da cidade como destino turístico encarece o preço das habitações e força o poder publico a intervir na oferta de moradias de interesse social.
O debate sobre este tema dominou a ultima campanha eleitoral em Nova York e o prefeito eleito prometeu executar politicas públicas ativas para baratear o custo de moradia na metrópole norte americana. Em Lisboa aconteceu a mesma coisa e o parlamento debateu seriamente a adoção de controle de preços no mercado imobiliário.
A falta dàgua em Guarapari neste verão desafiou mais uma vez as autoridades locais e a CESAN, concessionária estatal estadual. O balneário capixaba é sempre lembrado como exemplo de que o sucesso como destino turístico traz como consequência enorme pressão sobre o funcionamento adequado dos serviços públicos e exige adequação de investimentos, manejo e modelos de financiamento à sazonalidade da demanda.
Na virada do ano, circularam forte pelas redes sociais, vídeos sobre a superlotação de visitantes e engarrafamentos nos balneários do sul da Bahia: Trancoso, Caraíva e Prado. Também viralizou na internet noticias sobre situações de conflito nas praias de Porto de Galinhas em Pernambuco e o alto preço cobrado pelos comerciantes.
A super oferta de empreendimentos imobiliários nas praias pernambucanas gerou uma disputa selvagem por potenciais investidores entre os turistas causando transtornos e desconforto.
O Espirito Santo tem um enorme potencial para crescer com a economia do turismo. Os novos aeroportos de Linhares, Cachoeiro do Itapemirim e o futuro aeroporto das montanhas capixabas em Venda Nova do Imigrante vão certamente impactar fortemente o mercado.
A duplicação da BR 262 e a pavimentação da ES-010 no litoral norte de Aracruz até Conceição da Barra abrirão caminho para a economia do turismo em distritos e vilas capixabas ainda desconectados e desconhecidos. Oportunidades extraordinárias de desenvolvimento sustentável e interiorizado.
A diversidade cultural do Espirito Santo, sua culinária, os ativos ambientais e históricos que emolduram as terras e o povo capixaba são nossos principais atrativos para impulsionar a economia do turismo. Não podemos temer o sucesso mas precisamos nos preparar para ele.
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Engenheiro, Mestre em Desenvolvimento Sustentável, ex-prefeito de Vitória-ES e membro da ABQ-Academia Brasileira da Qualidade.





