Coligação de Pazolini pede inelegibilidade de prefeito que ameaçou demitir 700 servidores caso Ricardo Ferraço não seja eleito
Além da inelegibilidade do prefeito de Baixo Guandu, ação apresentada à Justiça Eleitoral pede a cassação dos registros de candidatura de Ricardo Ferraço e Camillo Neves por suposto abuso de poder político
A coligação Paz pra Viver um Novo Tempo, do candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos), apresentou, neste domingo (11), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso, e os candidatos ao Governo do Estado Ricardo Ferraço e Camillo Neves.

A ação pede que o prefeito seja declarado inelegível por oito anos, após a divulgação de um vídeo em que afirma que a Prefeitura poderá demitir cerca de 700 pessoas caso Ricardo Ferraço não vença as eleições.
Na ação, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), a coligação sustenta que o prefeito utilizou a autoridade do cargo para pressionar servidores públicos, contratados e eleitores, vinculando a manutenção de empregos, serviços e investimentos municipais ao resultado da eleição para governador.

O vídeo foi publicado no sábado (10), nas redes sociais do próprio prefeito. Usando um adesivo da campanha de Ricardo Ferraço, Lastênio Cardoso afirmou que uma eventual derrota do candidato teria consequências graves para Baixo Guandu.
“Caso o Ricardo Ferraço, o 15 aqui, não vença as eleições, o que vai acontecer em Guandu? A prefeitura vai ter que demitir, talvez, umas 700 pessoas”, declarou o prefeito na gravação.
VEJA O VÍDEO:
Na sequência, ele ampliou o alerta para trabalhadores do comércio, empresários e prestadores de serviços, afirmando que toda a economia do município poderia ser prejudicada. O prefeito também associou a continuidade de obras públicas, a liberação de recursos e até a manutenção do transporte escolar para estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) à vitória do candidato apoiado por ele.
Em outro trecho, Lastênio questionou os eleitores sobre as consequências de uma eventual derrota de Ferraço:
“Quem vota contra o Ricardo Ferraço vai poder deitar à noite… colocar a cabeça no seu travesseiro e olhar e pensar quantas pessoas desempregadas vão estar no Guandu?”
Para a coligação de Pazolini, as declarações ultrapassam os limites de uma manifestação de apoio político e representam uma tentativa de constranger o eleitorado por meio do temor de perda de empregos e interrupção de serviços públicos.
A ação argumenta que o prefeito não se pronunciou apenas como eleitor, mas na condição de chefe do Executivo municipal, responsável pela nomeação e exoneração de servidores comissionados e pela manutenção de contratos temporários.
Segundo a representação, a utilização dessa autoridade para associar a estabilidade dos vínculos de trabalho ao resultado eleitoral pode configurar abuso de poder político e grave ameaça à liberdade do voto.
Pedido de inelegibilidade e cassação de candidaturas
Com fundamento na Lei Complementar nº 64/1990, a coligação requer que Lastênio Cardoso seja declarado inelegível para as eleições realizadas nos oito anos subsequentes ao pleito de 2026.
A ação também pede a cassação dos registros de candidatura de Ricardo Ferraço e Camillo Neves, sob o argumento de que ambos teriam sido beneficiados eleitoralmente pela conduta atribuída ao prefeito.
Além disso, a coligação solicita a aplicação das multas previstas na legislação eleitoral e o encaminhamento dos autos ao Ministério Público Eleitoral para apuração de possíveis crimes de coação eleitoral, previstos nos artigos 300 e 301 do Código Eleitoral.
A representação destaca que a legislação protege a liberdade de escolha do eleitor e proíbe o uso da autoridade pública para interferir na disputa eleitoral.
Coligação pede investigação sobre demissões e preservação do vídeo
Entre as providências solicitadas à Justiça Eleitoral está a requisição de informações à Prefeitura de Baixo Guandu sobre a quantidade de servidores comissionados e contratados temporários, além dos registros de exonerações e rescisões contratuais ocorridas desde 4 de outubro de 2026.
A coligação também pede que a plataforma Instagram seja obrigada a preservar o vídeo original, os registros da publicação e os dados de alcance, incluindo visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos, para subsidiar a investigação.
Outro pedido é que a nova ação seja analisada em conjunto com uma investigação eleitoral anterior, que trata de supostas pressões sobre servidores comissionados para participação na campanha de Ricardo Ferraço.
Segundo a coligação, o episódio de Baixo Guandu deve ser examinado nesse contexto mais amplo, diante das alegações de utilização da estrutura administrativa e de vínculos funcionais para favorecer candidaturas durante o segundo turno.
A ação sustenta que a gravidade da conduta não está restrita ao número de trabalhadores mencionados no vídeo, mas também ao possível efeito de intimidação sobre suas famílias e sobre os demais eleitores do município.
RICARDO FERRAÇO CURTIU A POSTAGEM


Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



