Crise no STF: Ligações com empresário tensionam cúpula do Judiciário
As supostas ligações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro aprofundam a crise na Corte. O caso envolvendo o Banco Master ultrapassa a esfera financeira e gera instabilidade política. O Congresso Nacional reage com ameaças de pedidos de impeachment contra magistrados. Diante do desgaste, o presidente do STF, Edson Fachin, tenta acelerar a criação de um código de conduta para os ministros.
A Polícia Federal encontrou mensagens no celular de Vorcaro que mencionam o ministro Dias Toffoli. Ele era o relator do caso e foi afastado da função em fevereiro. As investigações apontam que um fundo ligado ao Banco Master comprou parte de um resort de uma empresa associada a Toffoli. O ministro também viajou em um jato particular com um advogado do empresário. Toffoli resistiu ao afastamento, mas cedeu após pressão de parlamentares e da opinião pública.
Novas revelações envolvem agora o ministro Alexandre de Moraes. Dados da Polícia Federal indicam trocas de mensagens entre o magistrado e Vorcaro. Em um diálogo com a namorada, o empresário afirmou que encontraria o ministro durante um feriado. Registros também mostram comunicações no dia da prisão de Vorcaro, em novembro passado. As respostas atribuídas a Moraes foram enviadas por recurso de visualização única e desapareceram após a leitura.
O escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões até 2027. Os repasses pararam após a liquidação da instituição financeira. Além disso, surgiram informações de que o casal utilizou jatos de uma empresa ligada a Vorcaro ao menos sete vezes. O gabinete de Moraes nega as irregularidades. “As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”, afirmou a nota oficial.
O ministro Edson Fachin espera concluir o código de ética do tribunal ainda este ano. A proposta está com a ministra Cármen Lúcia e busca estabelecer regras claras para o comportamento dos magistrados. Fachin defende que o constrangimento ético é a ferramenta mais eficaz de controle. “Quem age em desacordo com a regra precisa se sentir constrangido a repensar seu comportamento”, declarou o presidente da Corte.
A iniciativa divide opiniões entre juristas e magistrados aposentados. O ministro aposentado Marco Aurélio Mello defende que o foco deve ser o compromisso com a Constituição. “O que se exige é a compenetração dos que ocupam as 11 cadeiras mais importantes da República”, disse. Já o advogado Ilmar Muniz cobra punições reais e fiscalização externa. Ele afirma que o STF não pode se autofiscalizar e que a ausência de consequências práticas esvazia qualquer código de conduta.
(Fonte: Correio Braziliense. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



