Economia e segurança entram no centro da estratégia eleitoral de Ricardo Ferraço
O Palácio Anchieta já escolheu qual será o principal pilar da pré-campanha de Ricardo Ferraço (MDB) ao Governo do Espírito Santo: economia. Não é difícil perceber que o vice-governador vem sendo posicionado como o articulador central do acordo que pode viabilizar a instalação da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) em Aracruz.
O movimento é calculado. Ricardo construiu sua trajetória política diretamente ligada à área econômica e agora passa a ser apresentado como o “pai” político de um dos maiores investimentos industriais em negociação no Estado nos últimos anos. A presença de uma comitiva chinesa no Espírito Santo reforça o discurso de que o projeto não é promessa vazia e, se avançar, pode render milhares de empregos, aumento de arrecadação e impacto direto na economia regional.
Nos bastidores, o governo trabalha para consolidar a narrativa de que Ricardo é o nome capaz de destravar investimentos, abrir portas e gerar oportunidades. Em ano eleitoral, essa leitura ganha peso, sobretudo porque desenvolvimento econômico e segurança pública tendem a ser os dois grandes eixos do debate político em 2026.
A interseção entre esses temas é clara: emprego reduz vulnerabilidade social e, por consequência, pressões sobre a segurança. Essa lógica é usada pelo grupo do governador Renato Casagrande (PSB) para reforçar o protagonismo de Ricardo, que também assumiu papel central na coordenação do programa Estado Presente, voltado ao enfrentamento da violência.
A estratégia é simples e objetiva: colar a imagem de Ricardo à geração de trabalho, renda e estabilidade. Para o grupo governista, fazer o “negócio da China” sair do papel não é apenas sobre produzir veículos no futuro — é sobre consolidar a imagem de um articulador capaz de transformar negociação em resultado concreto.
Desde que Casagrande anunciou Ricardo como seu pré-candidato, ambos enfrentam um período de pressão intensa e escrutínio político elevado. A montagem de palanques, a atração de lideranças e o uso da máquina pública como vitrine de estabilidade para os municípios entram no centro da estratégia. Em um Estado onde boa parte das cidades depende diretamente de investimentos estaduais, essa vitrine pesa.
No jogo político, bilhões em investimentos não são apenas números: viram narrativa, capital simbólico e munição eleitoral. Se a GWM avançar, Ricardo ganha um troféu de campanha antes mesmo do início oficial da corrida ao Palácio Anchieta.

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