MISSÃO IMPOSSÍVEL? Ricardo fica entre os 323 mil votos de Helder e o eleitor de direita no segundo turno

MISSÃO IMPOSSÍVEL? Ricardo fica entre os 323 mil votos de Helder e o eleitor de direita no segundo turno

Com Pazolini saindo do primeiro turno com 49,65%, Ricardo precisa ampliar sua votação. Ao mesmo tempo em que eleitores tentam aproximá lo de Flávio Bolsonaro nas redes, mais de 323 mil votos dados ao petista Helder Salomão entram na disputa

O segundo turno para o Governo do Espírito Santo colocou Ricardo Ferraço (MDB) diante de uma equação política complicada.

Lorenzo Pazolini (Republicanos) terminou o primeiro turno com 1.048.633 votos, 49,65% dos válidos, ficando a apenas 0,35 ponto percentual de vencer a eleição naquela etapa. Ricardo recebeu 719.397 votos, 34,06%.

Mas existe um terceiro número que agora ganha enorme importância: 323.483.

Essa foi a votação de Helder Salomão (PT), terceiro colocado, com 15,32%.

Helder está fora da disputa. Seus eleitores, não.

Os 323 mil votos que ficaram disponíveis

Naturalmente, ninguém é dono dos votos de Helder e não existe transferência automática de eleitor.

Mas são mais de 323 mil pessoas que precisam fazer uma nova escolha, votar branco, nulo ou se abster no segundo turno.

É aí que começa o problema estratégico para Ricardo.

Uma aproximação explícita com Lula poderia facilitar politicamente uma eventual composição com o PT e Helder. Ao mesmo tempo, poderia criar resistência entre eleitores de direita que votaram em Ricardo no primeiro turno ou que poderiam considerar seu nome agora.

No sentido inverso, uma aproximação com Flávio Bolsonaro poderia dificultar uma composição com o eleitorado petista.

Ricardo precisa buscar votos à esquerda sem fechar a porta para a direita.

E aparece Flávio Bolsonaro

É justamente nesse momento que conteúdos compartilhados por eleitores nas redes sociais e no WhatsApp passaram a tentar aproximar Ricardo de Flávio Bolsonaro.

Até agora, não há comprovação de que esse movimento tenha sido produzido ou coordenado pela campanha de Ricardo.

A associação, porém, produz uma situação curiosa.

Isso porque Flávio Bolsonaro está politicamente no campo de Pazolini, e não de Ricardo. Reportagens sobre o segundo turno registram o apoio do senador ao candidato do Republicanos.

Ao mesmo tempo, outro vídeo que circula mostra Ricardo ao lado de Renato Casagrande dizendo:

“Viva o país socialista brasileiro!”

Assista o Vídeo que circula na REDES:

O contraste fornece munição para a batalha política das próximas semanas.

A pergunta que pode incendiar um debate

Ricardo evitou declarar voto presidencial no primeiro turno. A posição foi registrada durante a campanha.

Por isso, existe uma pergunta óbvia esperando por ele nesta segunda etapa:

Lula ou Flávio Bolsonaro?

Não é possível afirmar que Pazolini fará essa pergunta nos debates. Mas, se fizer, colocará Ricardo diante de uma escolha politicamente delicada.

Se aproximar se de Lula pode ajudá lo no diálogo com os 323 mil eleitores de Helder, mas também pode afastar uma parcela do eleitorado conservador.

Afastar se de Lula, por outro lado, pode dificultar justamente a aproximação com a parcela petista do eleitorado que ficou sem candidato.

E tentar se aproximar de Flávio encontra um obstáculo ainda mais evidente:

Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini

Flávio já tem candidato no Espírito Santo: Lorenzo Pazolini.

Uma “missão impossível”?

Essa situação já vinha sendo discutida em análise publicada pelo Política Capixaba, inclusive em um corte com Lucas Margotto, da Brand Pesquisas, durante conversa com Arnóbio Manso Paganotto e Professor César Albenes.

O dilema ficou ainda mais evidente depois da abertura das urnas.

Ricardo precisa recuperar uma diferença de 329.236 votos para alcançar Pazolini, enquanto 323.483 eleitores que escolheram Helder precisam decidir o que farão no segundo turno. Os números são próximos, embora isso não signifique que os votos de Helder possam simplesmente ser transferidos para Ricardo.

É justamente aí que está a “missão impossível” da campanha.

Buscar a esquerda sem perder a direita. Buscar a direita sem romper com a esquerda. E tentar fazer tudo isso enquanto Flávio Bolsonaro já está no palanque adversário.

Talvez por isso uma das perguntas mais interessantes do segundo turno não seja apenas quem Ricardo apoia para presidente.

É saber até quando ele conseguirá atravessar uma eleição polarizada sem responder claramente a essa pergunta.

Lula ou Bolsonaro?

O segundo turno pode obrigar Ricardo Ferraço a escolher.

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