Movimento cobra preservação da antiga Colônia Pedro Fontes

Movimento cobra preservação da antiga Colônia Pedro Fontes

Morhan pede providências do Iema e da Prefeitura de Cariacica diante do abandono do antigo complexo e do cemitério ligado à política de isolamento de pessoas com hanseníase

Meses depois de denúncias sobre a situação da antiga Colônia Pedro Fontes, em Cariacica, integrantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) afirmam que não houve mudanças no complexo. O grupo cobra atuação dos órgãos públicos para proteger as estruturas históricas e avaliar as condições do antigo cemitério.

A advogada e voluntária do movimento, Lívia Poubel, relata preocupação com a deterioração dos prédios e com possíveis riscos ambientais e sanitários. Segundo ela, o Ministério Público do Espírito Santo acompanha denúncias sobre o local, enquanto uma perícia teria sido solicitada para verificar a situação das sepulturas e do hospital abandonado.

Fundado na década de 1930, o Hospital Colônia Pedro Fontes fez parte, até 1986, da política nacional de isolamento compulsório de pessoas diagnosticadas com hanseníase. O complexo funcionava como uma cidade, com hospital, moradias, pavilhões e cemitério próprio. Parte da área ainda é ocupada, mas antigas edificações permanecem degradadas.

O Morhan afirma que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou uma vistoria após receber pedidos de tombamento do antigo Educandário Alzira Bley e de todo o complexo. O movimento defende que os espaços sejam protegidos em conjunto, por integrarem a mesma história de segregação e violação de direitos.

A entidade também questiona um decreto municipal publicado neste ano que prevê o desmembramento de áreas do antigo complexo. Para o grupo, a medida trata da destinação dos terrenos, mas ainda não apresenta respostas suficientes para a preservação da memória, do patrimônio e do atendimento à comunidade.

A antiga colônia fica próxima ao Rio Santa Maria, área com conexão com a Baía de Vitória. Por isso, o movimento considera necessária uma manifestação conjunta dos órgãos ambientais e sanitários. A cobrança inclui o Iema, a Prefeitura de Cariacica e demais instituições responsáveis por fiscalização, patrimônio e saúde coletiva.

Em junho, o Morhan encaminhou ao município um requerimento pedindo informações sobre estudos técnicos, inventário, delimitação das áreas protegidas, licenças e a destinação das edificações. Segundo a voluntária, o pedido ainda não foi respondido. O grupo afirma que a transparência é necessária para que qualquer intervenção respeite a legislação de proteção cultural e o direito à memória das pessoas atingidas pela política de segregação.

Fonte: [Século Diário](https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/pedro-fontes-movimento-cobra-autoridades-por-abandono-do-cemiterio-da-colonia/)

Fonte: Século Diário