“Posso apoiá-lo ao Senado”, diz Neucimar sobre Magno Malta

“Posso apoiá-lo ao Senado”, diz Neucimar sobre Magno Malta

Quase 10 anos após romperem politicamente, o deputado federal Neucimar Fraga (PP), candidato à reeleição, e o ex-senador Magno Malta (PL), candidato ao Senado, podem estar juntos novamente. Neucimar vai reunir seu grupo político na próxima segunda-feira (15) para definir se apoia Malta na eleição de outubro.

Os dois têm se reaproximado, segundo o próprio Neucimar falou à coluna “De Olho no Poder”. “Alguns amigos têm me procurado, incentivando ter relação política com Magno de novo. Já temos falado ao telefone e vamos conversar pessoalmente, mas antes fiquei de me reunir com meu grupo político”, disse Neucimar.

Segundo ele, a aproximação se dá pelo “Projeto Bolsonaro”. “Como eu estou alinhado ao projeto de reeleger Bolsonaro, e ele também, há essa afinidade, temos um discurso mais à direita. No dia que Bolsonaro esteve aqui no Estado (23 de julho) nós conversamos e ele falou do desejo de caminharmos juntos de novo e eu apoiá-lo para o Senado. Vamos voltar a conversar na próxima semana”, disse Neucimar.

Relembrar é viver

Desde 2013, quando Neucimar deixou o antigo PR (que hoje é o PL), que os dois não se falavam. Neucimar chegou a presidir o partido hoje comandado por Magno Malta e foi apoiado pelo ex-senador ao se eleger prefeito de Vila Velha, em 2008, e em sua tentativa de reeleição, em 2012 (perdeu para Rodney Miranda).

Mas, após a derrota nas urnas (2012), a relação entre os dois degringolou. Havia burburinhos de que nos bastidores, Malta se queixava de Neucimar, que ficava sabendo por meio de interlocutores. A relação se desgastou principalmente com as articulações para as eleições de 2014.

Em 2013, Magno e a deputada federal Lauriete se casaram (hoje são divorciados) e Magno iria apoiá-la à reeleição na Câmara Federal. Não haveria, portanto, espaço para Neucimar na disputa, já que, sem mandato, ele se preparava para concorrer a uma vaga de deputado federal. Foi aí que, até mesmo para se viabilizar, Neucimar resolveu deixar o partido de Magno Malta e se filiar ao PV.

A campanha de 2014 foi um rebuliço e afastou de vez Neucimar de Malta. O então delegado de Trânsito Fabiano Contarato se filiou ao PR para ser candidato ao Senado com apoio de Magno Malta, mas desistiu da candidatura em julho, às vésperas da campanha. Neucimar então foi alçado para ocupar a vaga na disputa ao Senado na chapa encabeçada pelo governador Renato Casagrande (PSB), que tentava a reeleição.

Embora o PR estivesse na mesma coligação, Magno Malta não apoiou Neucimar. Ele apoiou Rose de Freitas (PMDB), que foi eleita. Dois anos depois, em 2016, quando Neucimar tentou novamente voltar à Prefeitura de Vila Velha, Malta apoiou Max Filho (PSDB), que acabou também sendo eleito – Max e Malta também se distanciaram, depois.

PP vai apoiar Rose de Freitas

A reaproximação entre Neucimar Fraga e Magno Malta porém encontra uma barreira: Neucimar está no PP que, por sua vez, está coligado na chapa do governador Renato Casagrande (PSB) que tem como candidata ao Senado a senadora Rose de Freitas (MDB).

Neucimar diz que o PP deixou em aberto a disputa ao Senado mesmo após a convenção do partido, quando só foi definido o apoio à chapa ao governo. Porém, o presidente estadual do PP, Marcus Vicente, e o secretário-geral da legenda, Marcos Delmaestro, disseram que a Executiva estadual decidiu que o partido vai apoiar a senadora.

“A Executiva estadual decidiu apoiar a reeleição da senadora Rose de Freitas”, disse Vicente à coluna. Segundo Delmaestro, a decisão foi tomada no último dia 5. “Numa ata interna do PP, assinada no dia 5 de agosto, a Executiva estadual deliberou o apoio à senadora Rose. E depois dessa decisão, os progressistas, nesse mesmo dia, assinaram a ata da coligação Renato, Ricardo e Rose”, explicou.

Essa decisão de apoio à senadora, entretanto, não consta nas duas atas publicadas pelo partido e que estão disponíveis no portal da Justiça Eleitoral. Na ata que registra a reunião da Executiva da última terça-feira (09), há menção somente ao apoio à chapa de governo: “Quanto à formação de coligação majoritária para o cargo de governador e vice-governador foi proposto que o partido integrasse a coligação em que figurasse o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e que fosse delegado à Comissão Executiva Estadual poderes para formação e constituição de coligação para a eleição majoritária, com ampla possibilidade de aliança com quaisquer partidos”, diz a ata.

Num outro trecho do documento, diz: “Quanto ao cargo majoritário para senador e suplentes e coligação para o cargo de senador, o presidente do partido apresentou proposta no sentido de que fosse delegada à Comissão Executiva a escolha do candidato a senador e respectivos suplentes, do Progressistas ou dos partidos coligados, bem como que fosse delegada à Comissão Executiva os poderes para formação e constituição de coligação majoritária para o Senado com ampla possibilidade de aliança com quaisquer partidos”.

“Nós não fomos avisados de que o partido iria apoiar formalmente Rose, tanto que tem dentro do partido quem já esteja apoiando o Erick Musso (ao Senado) também”, disse Neucimar. Ele não citou nomes, mas se refere ao deputado federal Josias da Vitória, candidato à reeleição, que trabalhou na construção para que Erick desistisse do governo e disputasse o Senado, como a coluna noticiou.

Entre os progressistas, há também o caso do deputado federal Evair de Melo, que apoia o candidato ao governo Guerino Zanon (PSD). Embora o PP tenha se comprometido com a chapa de Casagrande, não tem como impedir que seus filiados apoiem outros nomes. O apoio formal, o tempo de TV, os recursos financeiros são para quem está “casado” no papel. Mas o pedido de voto, as caminhadas, a subida em palanques e a presença em comícios vão para “as paixões” de cada um.

2014 x 2022: Mesmos atores, papéis diferentes

Há oito anos, o governador Renato Casagrande (PSB) também disputava a reeleição. Porém, a situação era outra. Embora estivesse no governo, com a máquina pública na mão, Casagrande estava em desvantagem com relação ao ex-governador Paulo Hartung, seu antigo aliado, que então decidira voltar a campo e disputar contra ele. Casagrande perdeu no primeiro turno.

Hoje, o governador está numa situação muito mais favorável. Conta, até agora, com 11 partidos na coligação apoiando sua candidatura à reeleição e aliados trabalham para que a eleição seja decidida num turno só. A desistência de três pré-candidatos ao governo – Fabiano Contarato, Felipe Rigoni e Erick Musso – é avaliada no mercado político como ponto positivo para uma decisão no 1º turno.

Assim como Casagrande, a senadora Rose de Freitas disputa em outubro o mesmo cargo que disputou em 2014. Porém, há oito anos, ela não estava na coligação do governo e foi apoiada, vejam só, pelo então senador Magno Malta, que era aliado de Casagrande.

Na época, esse apoio recebido foi informal, por ser fora da sua coligação. Hoje, Rose assiste a partidos de sua coligação apoiarem, também informalmente, seus concorrentes. Malta que a apoiou lá atrás hoje disputa contra ela a mesma vaga. E, de aliado, Casagrande passou a ser para Malta um dos principais adversários.

Já Neucimar parece não guardar rancor. Embora não tenha contado com o apoio de Magno Malta em 2014 na disputa ao Senado, mesmo os dois sendo da mesma coligação, poderá apoiá-lo agora numa nova disputa ao mesmo cargo. Se vingar, estará no lado oposto ao de Rose, como há oito anos.

 

Fonte: Folha Vitória