Servidores aprovam reajuste de 8%, mas pressionam governo por inclusão de categorias excluídas
Após 11 meses de mobilização, paralisações e 30 dias de greve, servidores do Executivo estadual aprovaram a contraproposta apresentada pelo governo Renato Casagrande (PSB) para reestruturação das carreiras ligadas ao Sindipúblicos. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Unificada realizada nesta quinta-feira (26).
O acordo prevê reajuste linear de 8% para a maioria das carreiras da base. Já quatro carreiras técnicas terão aumento diferenciado de 18%: técnico de Fiscalização e Desenvolvimento Agropecuário, técnico em Desenvolvimento Ambiental e Recursos Hídricos, técnico em Desenvolvimento Rural e técnico Operacional.
O reajuste alcança cerca de 3 mil servidores ativos, além de aposentados com paridade. Inicialmente, a previsão era de 3,8 mil contemplados, mas parte das categorias acabou ficando de fora da proposta final.
Avanço histórico, mas incompleto
Para a presidente do Sindipúblicos, Renata Setúbal, o momento é simbólico. Segundo ela, trata-se de uma das campanhas salariais mais longas da história da entidade.
A recomposição diferenciada reduz a defasagem criada em 2012 entre níveis médio, técnico e superior. Com o novo índice, os cargos técnicos passam a receber cerca de 56% da remuneração do nível superior, diminuindo a desigualdade histórica entre as escolaridades.
Ainda assim, o sindicato afirma que a proposta não contempla integralmente a pauta defendida, que previa salário inicial de R$ 9,3 mil para nível superior, 70% desse valor para técnicos e 50% para nível médio.
Categorias cobram inclusão
Mesmo com a aprovação, foram registradas ressalvas formais. Entre elas:
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Abertura de mesa específica para discutir a situação dos Agentes de Suporte Educacional (ASEs);
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Inclusão dos técnicos-administrativos excluídos da tabela de recomposição;
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Retroatividade dos efeitos financeiros a janeiro de 2026.
O governo argumenta limitações legais e orçamentárias para não incluir determinadas categorias neste momento. Já o sindicato sustenta que há servidores na ativa que continuam sem a devida correção salarial.
Perdas acumuladas chegam a 50%
O movimento sindical alerta para perdas inflacionárias acumuladas ao longo dos anos, que chegariam a 50%. Para a entidade, a reestruturação aprovada representa avanço em relação à proposta inicial de 4%, mas ainda está distante da recomposição ideal defendida na campanha salarial.
O índice de 18% para as quatro carreiras técnicas passa a valer a partir de 1º de abril de 2026.
Próximos embates já estão no radar
Encerrada a votação da reestruturação, o sindicato já prepara nova assembleia para discutir o Reajuste Geral Anual (RGA), auxílio-alimentação e diárias.
Segundo a liderança sindical, a mobilização continuará, especialmente diante das restrições impostas pelo calendário eleitoral, que pode limitar mudanças estruturais na remuneração do funcionalismo.
A categoria considera o resultado um passo importante, mas deixa claro: a pressão organizada seguirá sendo a principal ferramenta de negociação.
Foto de capa: Kamila Passos/Ales

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