Substituto de Gilvan no PL, Lucas Casagrande já enfrenta ameaça de impugnação na Justiça Eleitoral
Vereador de Viana foi escolhido para disputar vaga de deputado federal após saída de Gilvan da Federal; participação em atos públicos durante o período eleitoral é apontada por adversários como possível motivo para questionamento do registro
A tentativa do PL de reorganizar rapidamente sua chapa para deputado federal no Espírito Santo após a saída de Gilvan da Federal pode enfrentar um novo problema na Justiça Eleitoral.
Escolhido para substituir Gilvan, o vereador de Viana Lucas Stein Casagrande (PL) já é alvo de movimentações de adversários que avaliam questionar seu registro de candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES).
Segundo informações publicadas nesta segunda-feira (15) pelo Aqui Notícias, opositores sustentam que Lucas teria participado de solenidades de inauguração e atos relacionados a ordens de serviço em Viana durante o período eleitoral. A eventual apresentação de uma ação, porém, não significa que a candidatura esteja impugnada: caberá à Justiça analisar os fatos e decidir se houve alguma conduta capaz de afetar o registro.
Lucas Casagrande, portanto, permanece no jogo eleitoral enquanto não houver decisão da Justiça Eleitoral em sentido contrário.
PL escolheu Lucas depois da saída de Gilvan
A entrada de Lucas aconteceu depois de uma mudança importante na chapa do PL.
Na sexta-feira (11), o TRE-ES decidiu por unanimidade negar o registro de candidatura de Gilvan da Federal à reeleição. A decisão levou em consideração a condenação do parlamentar por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL).
Embora ainda houvesse possibilidade de recurso, Gilvan optou por deixar a disputa. Na sequência, o PL indicou Lucas Casagrande para substituí-lo na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A proximidade política entre os dois não é recente. Em 2024, durante discurso registrado oficialmente na Câmara dos Deputados, o próprio Gilvan apresentou Lucas como presidente do PL de Viana e então pré-candidato a vereador.
De substituto a novo problema para o PL?
A possibilidade de uma contestação contra Lucas acrescenta uma nova dose de incerteza à estratégia eleitoral do partido.
A legenda acabou de perder seu candidato originalmente escalado para a disputa e agora precisa administrar os questionamentos levantados contra o nome escolhido para substituí-lo.
O PL tentou resolver um problema eleitoral com a substituição de Gilvan, mas poderá ter que enfrentar uma nova batalha jurídica em torno de Lucas Casagrande.
É importante ressaltar, entretanto, que ameaça de impugnação, pedido de impugnação e candidatura efetivamente impugnada são situações diferentes. Até uma eventual decisão judicial, não é correto tratar Lucas como fora das eleições.
Escolha também provoca questionamentos nos bastidores
A reportagem do Aqui Notícias também relata questionamentos sobre a relação política entre Lucas e Gilvan e sobre a estratégia adotada pelo PL para a substituição.
As suspeitas mencionadas pela publicação incluem uma possível tentativa de preservar parte da estrutura eleitoral montada em torno da candidatura de Gilvan. Até o momento, porém, não há decisão judicial apresentada na reportagem que reconheça irregularidade nesse sentido.
Por isso, qualquer associação da substituição a uma eventual candidatura irregular ou a uso indevido de recursos partidários deve ser tratada como suspeita ou questionamento político, e não como fato comprovado.
Uma candidatura que começa sob pressão
Lucas Casagrande foi eleito vereador de Viana pelo PL em 2024 e agora foi chamado pelo partido para uma disputa muito maior: uma das vagas do Espírito Santo na Câmara dos Deputados.
Só que sua entrada ocorre em plena reta final eleitoral e imediatamente depois de uma decisão judicial que obrigou o partido a reorganizar sua estratégia.
Antes mesmo de consolidar sua candidatura a deputado federal, Lucas Casagrande já entra no centro de uma nova disputa política e jurídica.
Os próximos movimentos dos partidos adversários e, principalmente, uma eventual manifestação da Justiça Eleitoral serão determinantes para saber se o episódio ficará restrito ao embate político ou se efetivamente se transformará em mais um problema judicial para a chapa do PL no Espírito Santo.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



