Com EUA de olho, Governo Federal avança em criar conselho para minerais críticos

Com EUA de olho, Governo Federal avança em criar conselho para minerais críticos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva finaliza a criação de um conselho especial para gerir minerais críticos. O novo órgão ficará vinculado à Presidência da República. As discussões ganharam urgência após estados como Goiás fecharem acordos internacionais independentes sobre o tema.

A estrutura servirá como instância de assessoramento direto para decisões geopolíticas e diálogo com o setor privado. Lula ainda decidirá se o colegiado ficará sob o comando da Casa Civil ou do Ministério de Minas e Energia. A pasta de Minas e Energia iniciou o projeto em 2025, mas o Palácio do Planalto prefere manter a coordenação próxima ao presidente.

O novo conselho terá perfil estratégico e político. Ele será mais enxuto que o atual Conselho Nacional de Política Mineral. O foco recai sobre a cadeia produtiva de cobre, lítio, níquel, manganês e grafita. Estes insumos são essenciais para a transição energética e para a tecnologia de ponta. O Brasil detém grandes reservas, mas sua produção atual representa apenas 0,09% da oferta mundial.

A movimentação ocorre em meio a ruídos diplomáticos com os Estados Unidos. O encarregado de negócios norte-americano, Gabriel Escobar, afirmou que Washington aguarda uma resposta brasileira sobre parcerias no setor. A declaração causou surpresa no Planalto. “Não existe proposta formal a ser respondida”, afirmam interlocutores do governo brasileiro.

O Brasil resiste a modelos baseados apenas na exportação de matéria-prima bruta. A diretriz atual prioriza produtos processados e a reserva de estoque para o mercado interno. Nesse cenário, o governo considera o acordo firmado com a Índia mais vantajoso que as sondagens americanas.

A gestão Lula também contesta a legalidade do memorando assinado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos. O Itamaraty e o Ministério de Minas e Energia não foram consultados sobre o documento. A União trata a iniciativa como inconstitucional e aponta riscos à segurança nacional. O Planalto questiona especialmente a divisão de dados geológicos brasileiros com o governo estrangeiro.

(Fonte: Poder360. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)