EUA declaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

EUA declaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A designação de terroristas globais entra em vigor no dia 5 de junho. O governo norte-americano justificou a medida pela violência das facções e pelo comando de milhares de integrantes. Segundo o órgão, as operações dos grupos alcançam outros países da América do Sul e o território dos Estados Unidos.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reforçou a decisão em redes sociais. O secretário afirmou que os grupos ameaçam a segurança e atuam em solo americano. “A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, disse Rubio.

O Brasil informou previamente aos Estados Unidos que não classifica o CV e o PCC como terroristas. O governo brasileiro argumenta que as facções não se enquadram na Lei Antiterrorismo de 2016. A legislação nacional exige motivações como xenofobia, discriminação ou preconceito. A avaliação brasileira indica que os grupos atuam por motivação econômica e controle territorial, sem fundo ideológico.

O Palácio do Planalto teme que a decisão amplie a divergência jurídica com Washington. A medida pode gerar sanções automáticas a bancos e empresas brasileiras que operem com as organizações, mesmo sem conhecimento direto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump conversaram sobre segurança nos meses anteriores. O governo brasileiro propôs a ampliação da cooperação contra a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Os Estados Unidos apresentaram contrapropostas sensíveis, incluindo a deportação de brasileiros e a classificação das facções.

O tema não foi debatido no último encontro presencial entre os presidentes. O presidente brasileiro negou que o assunto tenha partido do líder norte-americano. “Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump partindo dele falar de alguma facção no Brasil”, declarou Lula. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, manifestou-se oficialmente sobre a cooperação internacional. “Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, afirmou Amorim.

A oposição ao governo brasileiro apoiou a iniciativa de Washington. O senador Flávio Bolsonaro reuniu-se com o presidente norte-americano dias antes do anúncio oficial. O parlamentar viajou acompanhado do deputado Eduardo Bolsonaro e pediu a inclusão dos grupos na lista de terroristas. “Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que ele declare PCC e CV como organizações terroristas, que são o que elas são”, disse o senador.

(Foto: divulgação)