Liberado acreditar

Liberado acreditar

Por Luiz Paulo Vellozo Lucas

A Seleção Brasileira foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo, depois de perder para a Noruega de 2×1 no último domingo, frustrando tanto os que acreditavam no hexa e na vitória do Brasil, quanto os descrentes e críticos da CBF e de Carlo Ancelotti. Ficou provado apenas que a Seleção Brasileira de futebol não é nem 100% genial nem 100% tonta, como afirmou o técnico em entrevista `a Folha de São Paulo falando sobre si mesmo.

Os patrocinadores, empresários e anunciantes do mundo da bola também foram frustrados, mas os negócios não foram comprometidos pela eliminação e seguem crescendo e sendo extremamente promissores. A seleção norte americana também voltou pra casa depois da derrota por 4×1 para a Bélgica.

O resultado vingou e lavou a alma em campo, dentro das quatro linhas, dos belgas e de todos que se revoltaram com a absurda intromissão de Donald Trump e a ridícula subserviência do presidente da FIFA na anulação do cartão vermelho do atleta norte americano expulso no jogo anterior e suspenso automaticamente da partida seguinte pelo regulamento da competição.

Acreditar no sucesso é ingrediente fundamental de qualquer empreendimento, projeto ou iniciativa. Crer é excencial para seguir vivendo. “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá, nós podemos muito, nós podemos mais” cantava Gonzaguinha nos anos de chumbo da ditadura militar.

A história deu razão àqueles que acreditaram e lutaram para ver o regime autoritário pelo retrovisor, ainda que tivéssemos vivido para ver patriotas equivocados, em passeatas e acampados em frente aos quarteis, pedindo a volta dos militares ao poder.

Acreditamos que José Sarney, depois de servir ao regime militar como presidente da Arena, poderia substituir Tancredo Neves na liderança da transição para a democracia, em parceria com Ulisses Guimaraes, e assim instituir o estado de direito no Brasil com uma nova Constituição Federal.

Acreditamos que o Plano Cruzado e o congelamento de preços sustentado pela fiscalização popular e pela criminalização de práticas normais de mercado poderia acabar com a hiperinflação. Acreditamos em Collor de Mello, o caçador de marajás, que encarnou a fantasia de uma reforma do estado radical e modernizante que sepultaria o legado getulista substituidor de importações e atracaria de proa o Brasil no mundo contemporâneo.

Acreditamos no Plano Real e na liderança de Fernando Henrique Cardoso para acabar com a hiperinflação e implantar um projeto social democrata de economia de mercado, com moeda estável, preços livres e estabilizados, com o estado regulando mais que produzindo, integrados competitivamente ao mundo, com tolerância e generosidade com as contradições e disputas de poder acumuladas em séculos de desigualdades e injustiças. Foram nossos melhores anos.

Embarcamos em 2002, com a vitória de Lula sobre José Serra, em um ciclo de populismo e retrocesso institucional. O Lulo petismo sempre admitiu que faria o diabo para ganhar eleições e ficar no poder. Ganharam quatro eleições presidenciais contra o PSDB. Em 2018, Jair Bolsonaro chegou ao governo liderando uma nova extrema direita disposta a fazer mais que o diabo para derrotar o Lulo petismo. Tudo indica que ainda não sairemos desta armadilha diabólica nas eleições de 2026.

Teremos, cada eleitor, a oportunidade de dar seis votos em outubro próximo. Presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. Cada um deles é importante.

Existem bons candidatos em todo o espectro político ideológico. Todos os eleitos terão um pedaço do poder e não é difícil avaliar o que cada candidato pode fazer com seu quinhão de responsabilidade com o interesse público se tiver a confiança e o voto dos eleitores. Para ser cidadão e patriota de verdade é preciso fazer esta reflexão antes de escolher seus candidatos e, principalmente, acreditar que as eleições podem mudar a realidade para melhor.

Na propaganda da Brahma, Carlo Ancelotti cruza os dedos e diz que está liberado acreditar, conclamando todos os brasileiros a torcer para a Seleção Brasileira de futebol comandada por ele. Não foi por falta de torcida que voltamos pra casa nas oitavas de final. A continuação desta história está nas mãos da CBF e de Ancelotti.

As eleições de 2026 estão chegando e não é preciso cruzar os dedos, apenas acreditar no Brasil e votar com responsabilidade de acordo com a convicção de cada um.