Escolhas e Apostas
Por Luiz Paulo Vellozo Lucas
Existem dois tipos de batedores de pênalti. Aqueles que só querem converter a penalidade máxima e aqueles que desejam, em primeiro lugar, enganar o goleiro e só então fazer o gol. É da natureza humana querer adivinhar o futuro. Ainda hoje existe mercado para místicos e sensitivos operadores de forças sobrenaturais.
É incrível que os palpites, “bolões” e “ods” se pareçam mais atraentes que os próprios espetáculos esportivos.
Encontro na rua um eleitor amigo de eleições passadas que me aborda:
” Você vem candidato a deputado estadual mesmo? Vê se ganha hein porque não quero perder meu voto!” Expectativa de vitória eleitoral é expectativa de poder e isso impacta os mercados. As pesquisas de opinião quase que diárias e os marqueteiros, seus interpretes, competem com bruxos e cartomantes pela influência no mercado de futuros eleitorais.
A questão é que o voto é uma escolha e não uma aposta. As razões de voto, no entanto, são muito diferentes.
Encontro muita gente desanimada com a política, com a polarização radicalizada, cansadas do Lula e do PT mas com muito medo do Bolsonaro e da extrema direita internacional Trumpista. Meu primeiro argumento para tentar vencer o pessimismo predominante é o calendário eleitoral.
Em 2022 tivemos 29.262 candidaturas em todo Brasil considerando todos os cargos em disputa. Em 2024, nas eleições municipais, foram registradas 463.367 candidaturas para prefeitos e vereadores. Em outubro deste ano teremos eleições gerais com cerca de trinta mil candidatos. Vai ter campanha e vai ter eleição no Brasil. Nos Estados Unidos também terá. Já na Nicarágua não vai ter.
Meu segundo argumento é minha motivação. Em 13 de dezembro de 2026, se Deus quiser, completo setenta anos de idade. Vou disputar as eleições para deputado estadual pelo PSDB pensando em colocar a ALES para trabalhar na melhoria da qualidade da governança das politicas públicas locais. O desenvolvimento regional sustentável e os conselhos regionais de desenvolvimento devem ser retomados tendo os deputados estaduais como lideranças principais.
O papel mais nobre da ALES deve ser apoiar a pactuação qualificada entre o governo estadual, as prefeituras, o empresariado e a sociedade em torno de ações convergentes pelo interesse comum em cada uma das dez microrregiões do Estado.
Não penso em pendurar as chuteiras. Além de disputar eleição estou me preparando para dar seguimento aos estudos avançados que comecei no mestrado em desenvolvimento sustentável concluído recentemente na UFES.
Estou em contato com pesquisadores no Rio de Janeiro e em Lisboa para participar de um programa de doutorado sobre gestão de cidades com uso de ferramentas de inteligência artificial.
Meu terceiro projeto é escrever um livro sobre a política e a economia brasileira nos últimos cinquenta anos. Sei que a geração prateada de 60+ tem muito a contribuir e a participar da vida produtiva e criativa da sociedade. Quero apoiar ativamente a construção de espaços e oportunidades de valorização e participação da geração prateada, a minha geração, na vida social no Espirito Santo.
Minha inspiração é Mariazinha, minha mãe que, depois de mais de cinquenta anos dedicada ao serviço público, aposentou-se como Conselheira do Tribunal de Contas e aos 71 anos disputou e foi eleita deputada estadual. Ela gostava de dizer que a aposentadoria é uma doença muito perigosa. Vou pedir à Convenção Estadual do PSDB, no próximo dia 29/7 que me permita usar o numero que ela usou na eleição de 2002: 45.123.
As pesquisas de segundo turno realizadas antes do primeiro trazem um viés de erro grosseiro pois baseiam-se mais em apostas que em escolhas. Nas eleições de 1989 todos achavam que o segundo turno seria com Leonel Brizola pela esquerda contra um adversário do “estabilishment”.
Tentaram fazer de Silvio Santos e também de Antônio Ermírio de Moraes candidatos a presidente para enfrentar Brizola. Contrariando as apostas, Brizola não foi ao segundo turno. Não existe resposta certa para pergunta errada.
No próximo dia 5 de agosto acaba a definição do “grid de largada” das eleições gerais de 2026. Pode haver surpresas de ultima hora em função da fragilidade do candidato da família Bolsonaro. Mantido o quadro desenhado até o momento teremos no primeiro turno a principal disputa sobre quem irá ao segundo turno contra Lula e Alkmim. Ciro Gomes manifestou simpatia por Ronaldo Caiado e Renan Santos, Arminio Fraga por Caiado.
No nível estadual, a decisão de Lorenzo Pazolini em aliar-se ao PL de Magno Malta e Flavio Bolsonaro expulsou o PSD de Paulo Hartung e Sergio Meneghelli da sua aliança. A segunda vaga para o senado na chapa Ferraço/Casagrande está engatilhada para Rose de Freitas e parece ser improvável a mudança deste curso para abrigar o deputado colatinense, campeão digital da política capixaba. O PSD pode ainda bancar Meneghelli como candidato avulso ao senado.
A frente ampla liderada pela dupla Ferraço/Casagrande chega largamente vitoriosa ao inicio da campanha assumindo a pole position do processo eleitoral. O isolamento politico de Lorenzo Pazolini, que perdeu o apoio de muitas das forças que o apoiaram na reeleição de prefeito em Vitória, fez com que restasse apenas a opção de abraçar com força o bolsonarismo e a linha extremista de Magno Malta para quem isolamento e estreiteza não é problema.
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Engenheiro, Mestre em Desenvolvimento Sustentável, ex-prefeito de Vitória-ES e membro da ABQ-Academia Brasileira da Qualidade.




