Revés de Gilvan no TSE mexe com disputa pela Câmara, mas Manato torce por permanência do deputado na eleição

Revés de Gilvan no TSE mexe com disputa pela Câmara, mas Manato torce por permanência do deputado na eleição

ituação jurídica do parlamentar pode provocar movimentação entre eleitores da direita e, eleitoralmente, abrir espaço para outros nomes; Carlos Manato, porém, defende que Gilvan esteja na disputa e vê o deputado como importante aliado para uma bancada conservadora em Brasília

A nova derrota de Gilvan da Federal (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acrescentou um ingrediente importante à disputa pelas dez vagas do Espírito Santo na Câmara dos Deputados em 2026. Com o parlamentar novamente inelegível e seu registro dependendo de decisão da Justiça Eleitoral, abre-se uma incógnita sobre o destino de uma parcela expressiva do eleitorado identificado com a direita.

Um dos nomes que, numa leitura estritamente eleitoral, poderia acabar favorecido por esse cenário é Carlos Manato, que voltou à disputa para deputado federal e concorre diretamente em uma faixa do eleitorado conservador semelhante à de Gilvan.

Mas Manato rejeita qualquer comemoração sobre as dificuldades enfrentadas pelo parlamentar. Ao contrário: procurado pelo Política Capixaba, afirmou torcer para que Gilvan consiga reverter a situação e participe normalmente das eleições.

Gilvan volta a ficar inelegível

Na quarta-feira (26), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva negou seguimento ao recurso apresentado pela defesa de Gilvan e revogou a liminar anteriormente concedida pelo ministro Nunes Marques, que havia suspendido temporariamente os efeitos eleitorais da condenação.

Com isso, foram restabelecidos os efeitos da condenação imposta pela Justiça Eleitoral capixaba por violência política de gênero contra a hoje deputada estadual Camila Valadão (PSOL), em episódio ocorrido quando ambos exerciam mandato de vereador em Vitória.

A decisão não significa, por si só, que todos os capítulos jurídicos estejam encerrados. O próprio TSE determinou comunicação urgente ao TRE-ES, responsável por analisar os reflexos da decisão no processo de registro da candidatura de Gilvan.

Neste momento, portanto, existe uma diferença importante entre afirmar que Gilvan voltou a ficar inelegível e dizer que ele está definitivamente fora das eleições.

Incerteza pode mexer com o eleitorado da direita

Do ponto de vista político, entretanto, a situação já produz efeitos.

Gilvan é um dos nomes de maior identificação com o eleitorado conservador capixaba. Uma candidatura cercada de insegurança jurídica pode levar parte dos eleitores a acompanhar com atenção os próximos movimentos da Justiça antes de definir definitivamente o voto.

É justamente nesse ponto que surge Carlos Manato.

Ex-deputado federal e ex-candidato ao Governo do Espírito Santo, Manato possui longo histórico dentro da direita capixaba e foi um dos políticos do Estado que participaram do crescimento do movimento bolsonarista no Espírito Santo.

Agora novamente candidato à Câmara, ele entra na disputa com recall eleitoral e experiência de campanhas majoritárias.

Caso Gilvan efetivamente fique impossibilitado de concorrer, é natural que se abra uma disputa pelos votos que estavam sendo direcionados ao parlamentar.

E, pelas características políticas e ideológicas dos dois candidatos, Manato estaria entre os nomes com potencial para absorver parte desse eleitorado.

Isso, entretanto, é uma análise do cenário eleitoral — e não a posição manifestada por Manato.

Manato: “Quero o Gilvan na disputa”

Procurado pela reportagem, Manato fez questão de separar a matemática eleitoral da relação política que mantém com Gilvan.

Segundo ele, uma eventual ausência do deputado não deveria ser vista como uma oportunidade a ser comemorada pela direita. Manato considera Gilvan uma liderança importante e afirma que gostaria de tê-lo ao seu lado numa futura bancada federal capixaba.

Em declaração encaminhada à reportagem, Manato afirmou:

“Eu não quero ganhar espaço porque o Gilvan ficou fora da eleição. Muito pelo contrário. Torço para que essa situação seja resolvida e que ele possa disputar. O Gilvan é uma voz importante da direita, é um parlamentar combativo e tem muito a contribuir com o Espírito Santo e com o Brasil.

Seria muito importante termos uma bancada federal forte e podermos trabalhar juntos em Brasília. Na minha opinião, o Brasil perde se uma liderança como o Gilvan ficar fora da disputa. Espero sinceramente que ele consiga resolver essa situação e esteja na eleição.”

Manato também considera injusta a situação enfrentada pelo deputado e entende que o melhor cenário seria permitir que o eleitor decidisse nas urnas quem deseja mandar para Brasília.

De concorrentes nas urnas a possíveis parceiros em Brasília

A posição de Manato revela uma particularidade dessa eleição.

Durante a campanha, os dois naturalmente disputam votos dentro de segmentos semelhantes da direita. Mas uma eventual eleição de ambos poderia transformá-los, a partir de fevereiro de 2027, em parceiros dentro da bancada capixaba na Câmara.

É justamente essa leitura que Manato procura reforçar: quanto mais representantes identificados com a direita forem eleitos pelo Espírito Santo, maior poderá ser a força desse campo político em Brasília.

Por isso, embora a eventual saída de Gilvan possa matematicamente abrir espaço para outros candidatos — incluindo o próprio Manato —, o ex-deputado prefere trabalhar com outro cenário: Gilvan na urna e os dois buscando uma cadeira na Câmara.

Manato entra na disputa com trajetória consolidada na direita

Carlos Manato também não chega a 2026 como um nome novo.

Ele já exerceu mandato de deputado federal e disputou o Governo do Espírito Santo. Ao longo dos últimos anos, tornou-se uma das figuras mais identificadas com a direita capixaba e construiu forte relação política com o movimento que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Essa trajetória lhe garante um ativo importante numa eleição proporcional: recall.

Com apenas dez cadeiras capixabas em disputa na Câmara, cada movimentação entre os candidatos competitivos pode alterar o cenário.

E é por isso que a situação de Gilvan será acompanhada atentamente não apenas pelo PL, mas por praticamente todas as campanhas que disputam o eleitorado conservador.

Uma coisa é a política; outra, a matemática eleitoral

Há, portanto, duas leituras acontecendo simultaneamente.

Na matemática eleitoral, uma eventual ausência de Gilvan abriria espaço e votos que seriam disputados por outros candidatos da direita. Pela trajetória e pelo perfil de seu eleitorado, Manato aparece naturalmente entre aqueles que poderiam crescer nesse cenário.

Na política, entretanto, Manato prefere outro desfecho: Gilvan conseguindo superar o problema jurídico, permanecendo na eleição e, se ambos receberem a confiança dos capixabas, formando juntos uma bancada de direita em Brasília.

Agora, a próxima movimentação relevante deverá vir da Justiça Eleitoral.

Até lá, permanece uma certeza: o futuro da candidatura de Gilvan deixou de ser apenas uma questão jurídica e passou a fazer parte dos cálculos da eleição para deputado federal no Espírito Santo.