Revés de Gilvan no TSE pode abrir espaço para Manato na disputa pelas 10 vagas de deputado federal no ES
Com Gilvan da Federal novamente inelegível e registro ainda sob análise da Justiça Eleitoral, disputa pelo eleitorado de direita ganha novo componente; Carlos Manato pode estar entre os principais beneficiados politicamente
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que voltou a deixar Gilvan da Federal (PL) inelegível introduziu uma variável importante na disputa pelas dez cadeiras do Espírito Santo na Câmara dos Deputados.
O impacto não se restringe ao futuro político do atual parlamentar. Ele pode provocar uma redistribuição de votos dentro do campo da direita capixaba — e Carlos Manato aparece como um dos nomes com potencial para se beneficiar desse novo cenário.
Na quarta-feira (26), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva manteve a condenação de Gilvan por violência política de gênero e revogou a liminar que havia suspendido temporariamente os efeitos eleitorais da decisão. Com isso, Gilvan voltou à condição de inelegível. O caso do registro da candidatura, porém, ainda cabe ao Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), que deverá analisar os reflexos da decisão.
Portanto, é importante fazer uma distinção: a candidatura de Gilvan não pode ser tratada neste momento como definitivamente encerrada. Há uma situação jurídica adversa e uma incerteza eleitoral relevante.
Politicamente, porém, a dúvida por si só já pode produzir efeitos.
A direita passa a conviver com uma dúvida
Gilvan construiu um eleitorado identificado com a direita e busca a reeleição para deputado federal. Até julho, uma liminar do ministro Nunes Marques havia suspendido provisoriamente os efeitos eleitorais de sua condenação, permitindo que ele avançasse no processo eleitoral. A própria decisão, contudo, estabelecia caráter temporário até a análise do mérito.
Com a reversão dessa situação, surge um problema essencialmente eleitoral: o risco percebido pelo eleitor.
Mesmo que Gilvan continue recorrendo e defendendo seu direito de disputar a eleição, parte do eleitorado pode começar a se perguntar se vale a pena concentrar o voto em uma candidatura cercada de incerteza jurídica.
É justamente aí que entra Carlos Manato.
Manato pode ocupar parte desse espaço?
A resposta, neste momento, é: pode — mas isso dependerá da capacidade de sua campanha de transformar a insegurança jurídica do adversário em migração efetiva de votos.
Manato possui uma característica importante nessa disputa: ele não precisa ser apresentado ao eleitor conservador capixaba.
Ex-deputado federal e ex-candidato ao Governo do Espírito Santo, construiu ao longo dos últimos anos uma identificação consolidada com a direita e esteve entre os pioneiros da aproximação do bolsonarismo com o eleitorado capixaba.
Agora, de volta à disputa pela Câmara dos Deputados, Manato encontra um cenário no qual um dos nomes que concorre diretamente pelo voto conservador enfrenta uma dificuldade jurídica relevante.
Não significa que todo voto de Gilvan automaticamente migrará para Manato. Eleitores não se comportam dessa maneira e existem outros candidatos disputando o mesmo campo político.
Mas Manato possui atributos que podem colocá-lo em posição privilegiada nessa disputa: recall eleitoral, trajetória nacional, identificação ideológica e experiência anterior na Câmara Federal.
O efeito psicológico da insegurança jurídica
Existe ainda outro componente.
Campanhas eleitorais são feitas também de percepção.
Quando um candidato enfrenta risco de indeferimento do registro, adversários passam naturalmente a disputar seus eleitores com um argumento simples: escolher alguém cuja candidatura esteja juridicamente segura.
É possível, portanto, que a campanha de Manato nem precise atacar Gilvan diretamente.
A própria repercussão das decisões judiciais pode levar parte dos eleitores da direita a procurar alternativas consideradas eleitoralmente mais seguras.
Uma análise publicada nesta sexta-feira (28) já aponta que a ausência de Gilvan poderia inclusive colocar em risco a manutenção de uma cadeira do próprio PL na Câmara, dimensão que mostra como a situação ultrapassa a candidatura individual do deputado e pode mexer na matemática eleitoral das chapas.
Manato ganha uma janela de oportunidade
O episódio, portanto, cria uma janela política importante para Carlos Manato.
Não porque os votos de Gilvan tenham dono ou destino previamente definido. Muito menos porque a situação jurídica do deputado esteja definitivamente encerrada.
Mas porque, numa eleição proporcional disputada voto a voto, qualquer instabilidade envolvendo um candidato competitivo altera os cálculos dos demais.
E Manato tem condições de se apresentar justamente ao eleitor que procura um nome conhecido, identificado historicamente com a direita e com experiência em Brasília.
A partir de agora, o desafio da campanha será transformar essa oportunidade política em voto.
Se conseguir ocupar parte do espaço eventualmente deixado pela insegurança em torno da candidatura de Gilvan, Manato pode sair fortalecido na corrida por uma das dez cadeiras capixabas na Câmara dos Deputados.
A decisão do TSE ainda terá capítulos jurídicos.
Mas, no tabuleiro político, seus efeitos já começaram.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.




