ONG aciona Justiça contra aterros em Vila Cajueiro, em Cariacica

ONG aciona Justiça contra aterros em Vila Cajueiro, em Cariacica

Ação civil pública pede interrupção de obras em áreas de manguezal e sítios arqueológicos, além de recuperação ambiental e indenização por danos coletivos.

A Associação Juntos SOS Espírito Santo Ambiental entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal para cobrar a interrupção de intervenções em áreas de manguezal, unidade de conservação, cursos d’água e sítios arqueológicos em Vila Cajueiro, distrito de Cariacica. A ação tramita na 4ª Vara Federal Cível de Vitória.

A entidade pede tutela de urgência para impedir novos aterros, terraplenagens, cortes, escavações e pavimentações em três áreas identificadas no processo, além da recuperação dos locais degradados e do pagamento de indenizações por danos ambientais, arqueológicos e morais coletivos. Entre os réus estão empresas privadas, o Município de Cariacica, o Estado do Espírito Santo, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a União. O Ministério Público Federal atua no processo como fiscal da lei.

Segundo a ação, a região abriga trechos de manguezal do estuário do Rio Santa Maria da Vitória — parte inserida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal do Manguezal de Cariacica — além de sítios arqueológicos registrados há anos. A ONG afirma que, principalmente a partir de 2025, a área passou por cortes de morros, aterros e pavimentações associados a empreendimentos logísticos e obras viárias, sem licenciamento prévio adequado.

O processo cita parecer do Iphan que aponta um aterro de ao menos 59,4 mil metros quadrados, com profundidade superior a três metros, na área conhecida como “Porto da Pedra”. O mesmo órgão classificou a situação do Sambaqui Porto de Pedra como de “dano irreparável” ao patrimônio arqueológico, resultado de intervenções com maquinário pesado que teriam ocorrido mesmo após embargo determinado em outubro de 2025.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Meio Ambiente (Semdec) informou, segundo a petição, que uma das áreas era objeto de Termo de Ajustamento de Conduta anterior, com compensação ambiental de R$ 747 mil e Plano de Recuperação de Área Degradada ainda “em análise”. Para a associação autora da ação, essas medidas não seriam suficientes para esclarecer a extensão dos danos denunciados.

Fonte: [Século Diário](https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ong-aciona-justica-contra-aterros-e-danos-ambientais-em-vila-cajueiro/)