ES gasta R$ 3 bilhões em segurança, mas violência supera média nacional
O Espírito Santo destinou R$ 3,03 bilhões à segurança pública em 2025, mas ainda registrou taxas de homicídios, latrocínios, feminicídios e tentativas de homicídio acima das médias brasileiras.
Os dados estão no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento mostra que o Estado teve 907 mortes violentas intencionais em 2025, contra 984 no ano anterior. A taxa caiu de 24 para 22 mortes por 100 mil habitantes, o menor resultado da série histórica iniciada em 2012.
A redução foi puxada principalmente pelos homicídios dolosos, que passaram de 856 para 796 vítimas. Mesmo assim, a taxa capixaba ficou em 19,3 homicídios por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 15,4. Nos latrocínios, foram 25 ocorrências e taxa de 0,6, também superior à média brasileira de 0,4.
O cenário permanece mais grave nos crimes não letais. As tentativas de homicídio recuaram de 1.383 para 1.340 registros, mas a taxa estadual chegou a 32,5 casos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, de 16.
### Violência contra mulheres
Os homicídios de mulheres caíram de 94 para 75 casos e os feminicídios, de 41 para 35. Ainda assim, as taxas permaneceram acima das médias brasileiras: 3,6 contra 3,2 homicídios de mulheres por 100 mil habitantes e 2 contra 1,4 feminicídios.
As tentativas de homicídio contra mulheres subiram de 339 para 372 casos, enquanto as tentativas de feminicídio passaram de 60 para 66. Também houve alta nas lesões corporais dolosas em contexto de violência doméstica, de cerca de 2,5 mil para 2,6 mil ocorrências.
### Investimento público
As despesas estaduais com segurança cresceram de R$ 2,65 bilhões para R$ 3,03 bilhões entre 2024 e 2025, o equivalente a 9,8% de todos os gastos executados pelo Governo do Estado. O policiamento recebeu R$ 455,7 milhões, ante R$ 422,5 milhões no ano anterior, enquanto a Defesa Civil passou de R$ 49,9 milhões para R$ 73,3 milhões.
O anuário também aponta aumento nos registros de racismo, que chegaram a 290 casos, e de crimes motivados por homofobia ou transfobia, com 102 ocorrências. A população privada de liberdade passou de 25,1 mil para 27 mil pessoas.
Os números mostram que a ampliação do orçamento e a queda dos crimes letais convivem com desafios persistentes na segurança pública capixaba, especialmente na violência contra mulheres, nas tentativas de homicídio e nos crimes de ódio.
Fonte: Século Diário

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