Ricardo Ferraço assume comando do MDB e disputa ao Senado esquenta nos bastidores
O MDB capixaba saiu da convenção deste sábado (28) com duas mensagens claras: organização interna e movimento estratégico para 2026.
O vice-governador Ricardo Ferraço foi reconduzido à presidência estadual do partido por mais dois anos, encabeçando chapa única. A reeleição consolida sua liderança interna justamente no momento em que se posiciona como pré-candidato ao Palácio Anchieta. No discurso, o tom foi de unidade. Ricardo defendeu coesão partidária e sinalizou que aliados terão protagonismo no projeto político que começa a ganhar forma.
Entre os parceiros estratégicos citados, destaque para a superfederação União Progressista — formada por PP e União Brasil. Ricardo afirmou que ainda dialoga para consolidar a aliança, mas fez questão de reconhecer publicamente a importância dos deputados Da Vitória e Marcelo Santos na construção desse ambiente de convergência.
A convenção também evidenciou que o MDB trabalha em duas frentes: estruturar sua chapa federal e ampliar a chamada “frente ampla”, mantendo portas abertas para diálogo com outras siglas. Sobre o PSD, Ricardo foi cauteloso: não há tratativas formalizadas, mas o canal segue aberto.
Senado vira ponto sensível
Se para o governo a estratégia é unidade, para o Senado o cenário é mais delicado.
A ex-senadora Rose de Freitas recusou convite para integrar a Executiva estadual como terceira vice-presidente, mas compareceu à convenção e foi direta: protocolou formalmente pedido para ser pré-candidata ao Senado em 2026.
Segundo ela, há estímulo da instância nacional do MDB para que dispute a vaga. No Espírito Santo, porém, o assunto ainda está longe de consenso.

O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, também é pré-candidato à mesma cadeira, o que abre uma disputa interna que exigirá habilidade política para evitar fissuras.
Ricardo, ao ser questionado, preferiu contemporizar. Disse que o debate será feito “no tempo certo”, buscando convergência e unidade partidária.
Movimentações paralelas
Outro ponto comentado foi a filiação do deputado federal Amaro Neto ao PP. Ricardo classificou como decisão pessoal, reforçando que o grupo recebeu Amaro e o prefeito de Guarapari, Rodrigo Borges, com respeito institucional.
A presença de lideranças de outras siglas na convenção e a participação da ex-deputada Luzia Toledo também chamaram atenção. Luzia afirmou que deve retornar ao MDB após o período eleitoral e declarou apoio ao prefeito Lorenzo Pazolini para o governo.
No conjunto, o que se viu foi um MDB que tenta equilibrar dois movimentos simultâneos: consolidar a liderança estadual de Ricardo Ferraço e administrar as ambições internas para o Senado sem perder coesão.
Em política, unidade não se decreta — se constrói. E o MDB começa a desenhar esse tabuleiro.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.





