Parlamentares são expostos após votação simbólica na CPMI do INSS
A sessão da CPMI do INSS realizada em 26 de fevereiro ganhou repercussão não apenas pelo conteúdo dos requerimentos aprovados, mas pela exposição dos parlamentares que se manifestaram contra a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A deliberação ocorreu “em bloco” e por votação simbólica, sem registro nominal no sistema eletrônico. Nesse formato, o resultado é proclamado com base na verificação do plenário feita pela presidência da comissão.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, declarou ter contabilizado sete votos contrários e, com isso, proclamou a aprovação do bloco de requerimentos. A base governista, no entanto, contestou a contagem e pediu revisão.
Imagens da sessão analisadas por veículos de imprensa indicaram que 14 membros titulares teriam se levantado no momento da votação que incluiu a quebra de sigilo. Entre os nomes apontados como contrários à medida estão:
Romero Rodrigues (Podemos-PB), Damião Feliciano (União-PB), Neto Carletto (Avante-BA), Átila Lira (PP-PI), Cleber Verde (MDB-MA), Teresa Leitão (PT-PE), Paulo Pimenta (PT-RS), Orlando Silva (PCdoB-SP), Alencar Santana (PT-SP), Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Jussara Lima (PSD-PI).
Como não houve registro eletrônico individualizado, a identificação ocorreu a partir das imagens da sessão, o que acabou ampliando o debate sobre transparência e verificabilidade em votações simbólicas — especialmente quando envolvem dezenas de requerimentos e temas sensíveis.
O formato “em bloco” é previsto no regimento e costuma ser utilizado para agilizar trabalhos. Mas quando inclui decisões como quebra de sigilo, a ausência de registro nominal transforma o procedimento técnico em disputa política.
No fim das contas, o episódio expôs mais do que divergências sobre um requerimento específico. Trouxe à tona um ponto central: em tempos de polarização, cada gesto no plenário é interpretado, registrado e politicamente contabilizado.
Em Brasília, a forma de votar pode ser tão estratégica quanto o próprio voto.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.





