Tarifa dos EUA expõe riscos e oportunidades para a indústria do ES

Tarifa dos EUA expõe riscos e oportunidades para a indústria do ES

A sobretaxa norte-americana acende um alerta para empresas capixabas, enquanto a fábrica da GWM abre espaço para uma indústria mais diversificada no Estado.

O Espírito Santo tem uma economia industrial fortemente conectada ao comércio exterior. Mineração, siderurgia, celulose, petróleo, café e rochas naturais formam uma base exportadora que movimenta empresas, empregos e arrecadação.

Essa dependência também traz riscos. Os Estados Unidos receberam 27% das exportações capixabas em 2025. No primeiro semestre de 2026, a participação ficou em 27,5%, enquanto as vendas para o país recuaram 17,2%.

A nova tarifa adicional de 25% não atingiu todos os produtos da mesma forma. Minério de ferro, petróleo, celulose, café solúvel e parte das rochas foram preservados. Mármores, granitos e outros materiais, porém, continuam submetidos à sobretaxa.

Em 2025, os produtos capixabas diretamente afetados movimentaram cerca de US$ 240 milhões em vendas aos Estados Unidos. Para as empresas desses segmentos, a medida pode significar encomendas canceladas, margens menores, adiamento de investimentos e pressão sobre o emprego.

O cenário reforça a necessidade de diversificar a economia estadual. A fábrica da GWM em Aracruz, com investimento previsto de R$ 5,8 bilhões e capacidade de até 200 mil veículos por ano, pode estimular fornecedores locais, qualificar trabalhadores e atrair empresas de componentes, baterias, softwares e serviços de engenharia.

O resultado, contudo, dependerá da capacidade de transformar a instalação em uma cadeia produtiva capixaba. Montar veículos no Estado não garante, por si só, que tecnologia, fornecedores e empregos de maior produtividade permanecerão na economia local.

Para aproveitar a oportunidade, o Espírito Santo precisará combinar infraestrutura, segurança jurídica, formação profissional, inovação e integração entre governo, empresas, universidades e instituições de apoio. Assim, a pressão provocada pelo tarifaço poderá acelerar uma estratégia de desenvolvimento menos dependente de poucos produtos e mercados.

Com informações de A Gazeta.