Senado rejeita Jorge Messias e impõe derrota histórica a Lula

Senado rejeita Jorge Messias e impõe derrota histórica a Lula

O Senado Federal rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira. O nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 34 votos favoráveis e 42 contrários em votação secreta. O resultado impediu que Messias alcançasse o quórum mínimo de 41 parlamentares necessário para a aprovação.

Este desfecho marca um evento inédito na história recente do país, pois o Senado não reprovava um indicado à Corte havia 132 anos. A última rejeição coletiva ocorreu em 1894, ainda no início da República. A vaga no tribunal decorre da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

A reprovação ocorreu após uma sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça, onde Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11. Durante o interrogatório, o indicado defendeu a transparência do Judiciário e abordou temas sensíveis. “Todo Poder deve se sujeitar a regras e contenções”, afirmou Messias ao comentar as demandas da sociedade por escrutínio público.

Jorge Messias é procurador da Fazenda Nacional e aliado de longa data do Partido dos Trabalhadores. Ele ficou conhecido nacionalmente pelo apelido “Bessias” após a divulgação de um áudio da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. Na gravação interceptada pela Operação Lava Jato, Dilma teria o chamado daquela maneira ao dizer que do envio de um termo de posse para Lula por meio do assessor.

Nos bastidores, a derrota foi atribuída à falta de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Interlocutores apontam que Alcolumbre preferia a indicação do senador Rodrigo Pacheco para o cargo. A ausência de articulação direta do comando da Casa isolou o nome de Messias no plenário.

O Palácio do Planalto deve agora selecionar um novo nome para submeter ao Congresso Nacional. Não há prazo legal para que o presidente Lula apresente o substituto. Aliados indicam que Rodrigo Pacheco deve ser mantido em sua posição atual para fortalecer o palanque governista em Minas Gerais nas próximas eleições.

(Foto: TV Senado)