Cariacica pós-eleição: aliados de Euclério ficam pelo caminho e novo cenário político começa a surgir
Dois anos depois de uma reeleição expressiva, resultado de 2026 mostra que o prestígio pessoal do prefeito não foi reproduzido integralmente pelos candidatos que tiveram seu apoio
As eleições deste domingo (4) deixaram uma leitura interessante sobre o cenário político de Cariacica e, especialmente, sobre o tamanho da liderança construída pelo prefeito Euclério Sampaio (MDB).
Reeleito em 2024 com uma votação expressiva, Euclério chegou ao processo eleitoral de 2026 como uma das principais lideranças municipais do Espírito Santo e participou ativamente da construção de diferentes candidaturas.
O resultado das urnas, porém, mostrou algo bastante comum na política: o prestígio de uma liderança nem sempre é transferido integralmente para os candidatos que ela apoia.
Alguns dos principais nomes que contaram com a proximidade ou o apoio político de Euclério não conseguiram alcançar seus objetivos eleitorais neste domingo.
Ferraço ficou atrás de Pazolini em Cariacica

O resultado mais importante veio da disputa pelo Governo do Estado.
Euclério participou ativamente da campanha de Ricardo Ferraço (MDB) e colocou sua estrutura política à disposição do projeto.
Apesar dessa mobilização, Lorenzo Pazolini (Republicanos) terminou o primeiro turno na frente em Cariacica.
O resultado chama atenção justamente pela força demonstrada pelo próprio Euclério no município apenas dois anos antes.
Isso não significa necessariamente perda de popularidade do prefeito. As eleições são diferentes, os candidatos são outros e o eleitor costuma separar disputas municipais, estaduais e nacionais.
Mas mostra que o eleitorado que deu uma vitória expressiva a Euclério em 2024 tomou decisões próprias na eleição estadual de 2026.
Aliados também enfrentaram dificuldades no Legislativo
O cenário se repetiu nas eleições proporcionais.

Na disputa para deputado federal, Messias Donato, politicamente próximo ao prefeito, não conseguiu renovar o mandato e terminou na suplência.
Para deputado estadual, três nomes que tiveram apoio e proximidade com Euclério também não conseguiram conquistar uma cadeira.

Denninho Silva, aliado histórico do prefeito, ficou fora da próxima legislatura.
O presidente da Câmara de Cariacica, Lelo Couto, também buscava ampliar sua atuação política para a Assembleia Legislativa, mas terminou a eleição na suplência.
Sandro Locutor, outro nome de Cariacica que contou com apoio político de Euclério, igualmente não conseguiu retornar à Assembleia.
O resultado, portanto, acabou deixando o grupo político do prefeito com uma representação legislativa abaixo daquela que seus aliados projetavam antes da abertura das urnas.
Açucena faz movimento contrário e chega à Assembleia
Ao mesmo tempo, uma candidatura de oposição ao governo municipal conseguiu avançar.
A vereadora Açucena (PT) foi eleita deputada estadual.

Açucena construiu sua atuação na Câmara de Cariacica em posição de oposição à administração municipal e agora amplia sua presença política para a Assembleia Legislativa.
O resultado acrescenta uma nova peça ao tabuleiro político de Cariacica para os próximos anos.
O que as urnas realmente dizem sobre Euclério?
Talvez esse seja o ponto mais interessante da eleição.
Euclério continua sendo uma das maiores lideranças políticas de Cariacica.
Nada no resultado de domingo apaga a votação obtida pelo prefeito em 2024, sua capacidade de articulação ou a estrutura política construída durante seus mandatos.
Mas as urnas de 2026 permitem fazer uma distinção importante.
Uma coisa é a força eleitoral de Euclério. Outra é a capacidade de transferir essa força integralmente para terceiros.
Isso acontece com lideranças políticas em todo o país.
O eleitor pode aprovar uma administração municipal e votar novamente no prefeito, mas fazer escolhas completamente diferentes quando precisa decidir quem será governador, senador ou deputado.
Em Cariacica, essa independência do eleitor ficou bastante evidente neste domingo.

Segundo turno oferece um novo teste
A eleição para governador ainda não terminou.
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini disputarão o segundo turno, e Cariacica certamente estará entre os municípios observados com atenção pelas duas campanhas.
Para Euclério, será também uma oportunidade de reorganizar sua base, ampliar a mobilização e tentar melhorar o desempenho de Ferraço dentro do município.
O resultado do primeiro turno não elimina a força do prefeito.
Mas produz uma fotografia interessante da política local.
Euclério demonstrou em 2024 que possui voto próprio. Em 2026, as urnas mostraram que transformar esse capital político em votos para aliados é um desafio diferente.
E talvez essa seja a principal mensagem deixada pela eleição em Cariacica.
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Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



