Decisão de Ricardo Ferraço sobre conflitos fundiários gera crise com a esquerda no ES
A alteração na política de mediação de conflitos territoriais promovida pelo governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, causou forte descontentamento entre lideranças políticas de centro-esquerda e esquerda no Estado. O decreto assinado pelo Executivo reformulou a comissão estadual responsável pelo tema e transferiu a coordenação do colegiado da Secretaria de Direitos Humanos para a Secretaria de Segurança Pública. Partidos como PT e Psol reagiram publicamente e classificaram a medida como um desmonte dos mecanismos de conciliação.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Camila Valadão e com vice-presidência de Iriny Lopes, divulgou uma nota conjunta de repúdio. O documento aponta que a revogação do modelo anterior representa um retrocesso institucional e fere preceitos constitucionais sobre a função social da propriedade. No texto, as parlamentares ressaltaram o posicionamento do colegiado sobre a condução da pauta. “O direito à terra não é caso de polícia. É uma questão de justiça social”, afirmaram.
Em pronunciamento nas redes sociais, Camila Valadão elevou o tom das críticas e comparou as declarações do governador a discursos da extrema-direita. A deputada argumentou que a mudança no comando da comissão abre espaço para a repressão estatal contra populações vulneráveis. A parlamentar encerrou o pronunciamento com um alerta direcionado ao Palácio Anchieta sobre os impactos eleitorais da decisão. “Nós não nos esqueceremos de mais esse retrocesso. Outubro já está chegando, e é logo ali”, declarou.
O embate político ocorre em um momento estratégico, diante das articulações para a disputa ao governo estadual. Camila Valadão é a principal liderança do Psol capixaba e já declarou apoio ao pré-candidato do PT, Helder Salomão, divergindo da Rede Sustentabilidade, legenda com a qual o Psol é federado e que integra a atual gestão estadual. O desgaste na relação com os partidos de esquerda pode isolar Ricardo Ferraço nesse espectro político, repetindo um cenário de disputa acirrada no qual o voto progressista se mostra decisivo. A assessoria do governador foi procurada para comentar o caso, mas não se manifestou até o momento.
(Imagem: Ana Salles / ALES)

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



